sexta-feira, 13 de maio de 2011

INSANO

INSANO

recordo ainda ínfimas pétalas,
botões instalados no interior de um véu quase lácteo,
a florirem em estiramentos agradavelmente dolorosos.
quão frutífera é esta dor que cresce de dentro
e alimento, alimento…
esta dor a quem mato sede e fome
para que me nutra a alma,
me escorra sanguínea em tinta ainda morna.
esta dor rubra,
que azulo no ventre
e risco sempre em ondas de ternura.

LUISA AZEVEDO

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