quarta-feira, 25 de maio de 2011

AMIGOS


AMIGOS


Amigos cento e dez, e talvez mais,
eu já contei. Vaidades que eu sentia!


Pensei que sobre a terra não havia
mais ditoso mortal entre os mortais.


Amigos cento e dez, tão serviçais,
tão zelosos das leis da cortesia,
que eu, já farto de os ver, me escapulia
às suas curvaturas vertebrais.


Um dia adoeci profundamente. Ceguei.


Dos cento e dez, houve um somente
que não desfez os laços quase rotos.


- Que vamos nós (diziam) lá fazer?


Se ele está cego, não nos pode ver". . .


- Que cento e nove impávidos marotos!


Camilo Castelo Branco

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