quarta-feira, 31 de agosto de 2011

PROCURO-TE




Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
...e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e casta.
Não sei o que dizer, especialmente quando os teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e tu estremeces como um pensamento chegado. Quando
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima,
– eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.


Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
o coração é uma semente inventada
em seu ascético escuro e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a minha casa ardesse pousada na noite.
– E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes caem no meio do tempo,
– não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.


Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço –
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra vai cair da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me falta
um girassol, uma pedra, uma ave – qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,


que te procuram.


HERBERTO HELDER, in Poesia Toda






segunda-feira, 29 de agosto de 2011

NÃO SOU FILHO DE PAI NEM MÃE

                              

NÃO SOU FILHO DE PAI NEM MÃE


Não sou filho de pai nem mãe
Todo materialmente belas
Só são coisas imaterialmente belas
Varas de guarda - chuvas
Ou calçado em ruas desvairado
Os olhos dos gatos prenchem-me todo o vácuo
Há estradas escavadas nas mãos
Sem quaisquer estradas
O rio tem escrito nas uvas
As mulheres de branco
Estaticamente deambulantes
Pela gramática das pernas desgramaticadas
A dissertação
É quando a abelha
Traz a canção sobre a flor
E leva o nectar
Eis tudo o que te quero dizer
Nesta tarde de agosto
Não há nada para fazer
Nada para cumprir
Enquanto o sol
Empresta os ouvidos à areia
E chama toda a semente à morte
Por células de um sorriso vivas
Neste ínico
Neste constante ínicio
de carne perfumada de feridas
Não há nada para fazer
Nada para cumprir
Na neve dos pulmões
Senão os braços abertos ao mundo!


manuel feliciano

MAIOR DOR

Luisa Azevedo
MAIOR DOR
 


Porque me procuras quando triste sou


e de ti essa tristeza me adveio,


quando todos os ais, o meu anseio,


são a dor maior que me sobrou.




Porque teimas… se tua presença se ausentou


deixando um rasto de vazio pelo meio,


se teu coração do meu não ficou cheio


ou o meu olhar o teu não cativou!




E quantas horas nos restam pela frente?


Será que a tua boca ainda sente


aquele amor que nunca me entregaste?




E sempre… sempre a minha alma chora


quando no nosso passado se demora,


ou no leito ainda quente, que deixaste!



LUISA AZEVEDO

GERAÇÃO À RASCA FOI A MINHA



GERAÇÃO Á RASCA FOI A MINHA

Geração à rasca foi a minha. Foi uma Geração que viveu num país vazio de
gente por causa da emigração e da guerra colonial, onde era proibido ser
diferente, pensar que todos deveriam ter acesso à saúde, ao ensino e à
segurança social.
Uma Geração de opiniões censuradas a lápis azul. De mulheres com poucos
direitos, mas de homens cheios deles. De grávidas sem assistência e de
crianças analfabetas. A mortalidade infantil era de 44,9%. Hoje é de 3,6%.
Que viveu numa terra em que o casamento era para toda a vida, o divórcio
proibido, as uniões de facto eram pecado e filhos sem casar uma desonra.
Hoje, o conceito de família mudou. Há casados, recasados, em união de facto,
casais homossexuais, monoparentais, sem filhos por opção, mães solteiras
porque sim, pais biológicos, etc.
A mulher era, perante a lei, inferior. A sociedade subjugava-a ao marido, o
chefe de família, que tinha o direito de não autorizar a sua saída do país
ou de ler-lhe a correspondência.
Os televisores LED, ou a 3 dimensões eram uns caixotes a preto e branco onde
se colocava à frente do ecrã um filtro colorido, mas apenas se conseguia
transformar os locutores em ET’s desfocados.
Na rádio ouviam-se apenas 3 estações – a oficial Emissora Nacional, a
católica Rádio Renascença e o inovador Rádio Clube Português. Não tínhamos
então os Gato Fedorento, mas dava-nos imenso gozo ouvir Os Parodiantes de
Lisboa, ou a Voz dos Ridículos.
As Raves da época eram as festas de garagem, onde de ouvia música de vinil e
se fumava liamba das colónias. Nada de Bares ou Danceterias. As Docas eram
para estivadores, e O Jamaica do Cais do Sodré para marujos.
A “Night” era para os boémios. Éramos a geração das tascas, das casas de
fado e das boites de fama duvidosa. Discotecas eram lojas que vendiam
discos, como a Valentim de Carvalho ou a Vadeca.
As Redes Sociais chamavam-se Aerogramas, cartas que a nossa juventude
enviava lá da guerra aos pais, noivas, namoradas ou madrinhas de guerra.
Agora vivem na Internet, ora alimentando números de socialização no
Facebook, ora cultivando batatas no Farmville. Os SMS e E-Mails cheios de k
e vazios de assentos eram as nossas cartas e postais ou papelinhos
contrabandeados nas aulas.
As viagens Low-Cost na nossa Geração eram feitas por via marítima. Quem não
se lembra do Niassa, do Timor, do Quanza, do Índia entre outros, tenebrosos
navios que, quando embarcávamos, só tínhamos uma certeza - a viagem de ida,
quer fosse para Angola, Moçambique ou Guiné.
Ginásios? Só nas coletividades. Os SPAS chamavam-se Termas e só serviam
doentes. Coca-Cola e Pepsi? Eram proibidas. Bebia-se laranjada, gasosa ou
pirolito.
Na minha geração, dos jovens só se esperava que fossem para a tropa ou
emigrassem.
Na minha Geração o país, tal como as fotografias, era a preto e branco.




BRANCA LAGO

domingo, 28 de agosto de 2011

sábado, 27 de agosto de 2011

DEDICADO A TI QUE ME FAZES FUTURO




Dedicado ás palavras
pousadas no silêncio,
aquelas que queremos
mas não conseguimos dizer.


...Dedicado á suavidade
das manhãs
que estão por nascer,
a ti que inventas
a tua nova viagem,
a ti que plantas
o futuro
á tua espera.


Dedicado á minha alma
ao que ela quis
e ainda julga
que é possivel.


Dedicado a vocês
que esperam tudo.


Dedicado a ti,
que me beijas,
e me fazes
futuro.

José Sottomayor





sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A MORTE DO CISNE

                            
                                                      JOHN LENNON

SAUDADES DO TEMPO QUE FOI EXPOENTE DE CADA VIDA


Foto de Luís Cambra

O mundo visto daqui é de areia, pedra e água salgada com ondas e espuma. O tempo está de estio como antes já esteve nas nossas vidas sofridas e vividas, que do ocaso nos dão saudades do tempo que foi expoente de cada vida. Ao meu amigo. JMBastos. RIP.

LUÍS CAMBRA




 
Luís Cambra

terça-feira, 23 de agosto de 2011

VÕO

Susana Duarte

VÕO.


Vôo.
Vou?
Vou mas....oh..
sem asas e sem céu,
sigo o caminho


(que não sei se é meu).


Habito uma ave de asas
incertas
em praias noturnas,
em praias desertas.


Habito a montanha
onde o cume de neve
me esconde o vôo
e não torna leve


(a peregrinação).


Ave estranha
de sons incompletos
nascida na noite
de vários desertos,
habito uma casa
de flores guardadas
e telhas içadas
que me tapam a nudez
de não saber


para onde vôo.



SUSANA DUARTE
  

sábado, 20 de agosto de 2011

A NOITE DESCE

Florbela Espanca pintada por Botellho

A NOITE DESCE...


Como pálpebras roxas que tombassem
Sobre uns olhos cansados, carinhosas,
A noite desce... Ah! doces mãos piedosas
Que os meus olhos tristíssimos fechassem!


Assim mãos de bondade me embalassem!
Assim me adormecessem, caridosas,
E em braçadas de lírios e mimosas,
No crepúsculo que desce me enterrassem!


A noite em sombra e fumo se desfaz...
Perfume de baunilha ou de lilás,
A noite põe-me embriagada, louca!


E a noite vai descendo, muda e calma...
Meu doce Amor, tu beijas a minh'alma
Beijando nesta hora a minha boca!



FLORBELA ESPANCA

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

METAMORFOSES




José Manuel BastosCom muitos valores como as fotografias (embora bonitas) não são capazes de mostrar os valores da Antónia, só quem a conhece (ou conheceu). Solidária, alegre, muito amiga, sensível, expontânea, anti-depressiva, anti-preguiça, anti-vedeta, an...ti-arrogância,anti-vaidade​, leal, sábia, pura, com honra e humilde como os maiores:"Quando te abaterem, então, tu dirás: Haja exaltação! E Deus salvará ao humilde e livrará até ao que não é inocente; sim, ele será libertado pela pureza das tuas mãos.

Comentário feito no meu albúm "Metamorfoses" publicado na minha página do facebook


Foi no Largo do Souto que era o Centro do Mundo (em S. João da Madeira) que eu e o Zé Manel  nascemos e vivemos a nossa infância, adolescência e juventude. Como ele soube tão bem retratar num artigo líndíssimo que publicou no Jornal da cidade "O Regional".
Como os homens o Largo também desapareceu.....


Largo do Souto
 
 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

AMIGOS DO ZÉ MANEL

A AMIZADE

Últimos amigos meus colocados no Facebook


José Manuel Bastos Muito obrigado! Que honra figurar nesta "creates a unique collage of your best friends" ao lado de gente tão interessante, como a Luciana, o Bernardo, a Carolina Rosa, a Antónia, o Amadeu, o Venceslau, o Gil, a Clara, a Tina, o Horácio, etc.



.


10/6 às 19:35 ·
Tu, Gil Fernando Milheiro, MClara Pt e Luciana Ferreira Maia gostam disto.


Últimos amigos do Zé Manel colocados no Facebook

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

SAUDADES

José Manuel Bastos


HOMENAGEM AO NOSSO QUERIDO AMIGO JOSÉ MANUEL BASTOS





SAUDADES... ESTAREI SEMPRE CONTIGO.por António Bernardo a Domingo, 14 de Agosto de 2011 às 16:58



RECORDANDO - 08/04/2009



"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.


Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."




Fernando Pessoa

António Bernardo
 

sábado, 13 de agosto de 2011

INOCÊNCIA

Trabalho de António Gomes Anacleto

PALAVRAS PARA A MINHA MÃE

A minha mãe
PALAVRAS PARA A MINHA MÃE




mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.


pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.


às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.


lê isto: mãe, amo-te.


eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.




José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

SOMOS DE BARRO


Sebastião da Gama

SOMOS DE BARRO

Somos de barro. Iguais aos mais.
Ó alegria de sabe-lo!
(Correi, felizes lágrimas,
por sobre o seu cabelo!)


Depois de mais aquela confissão,
impuros nos achamos;
nos descobrimos
frutos do mesmo chão.


Pecado, Amor? Pecado fôra apenas
não fazer do pecado
a força que nos ligue e nos obrigue
a lutar lado a lado.


O meu orgulho assim é que nos quer.
Há de ser sempre nosso o pão, ser nossa a água.
Mas vencidas os ganham, vencedores,
nossa vergonha e nossa mágoa.


O nosso Amor, que história sem beleza,
se não fôra ascensão e queda e teimosia,
conquista... (E novamente queda e novamente
luta, ascensão... ) Ó meu amor, tão fria,
se nascêramos puros, nossa história!


Chora sobre o meu ombro. Confessamos.
E mais certos de nós, mais um do outro,
mais impuros, mais puros, nós ficamos.


SEBASTIÃO DA GAMA





DIA 361

Foto de José Manuel Fernandes

DIA 361

Estava precisamente a dizer-te
que o meu coração tem um sorriso ao qual não
me oponho porque esse sorriso tem a forma de
um barco que desliza sobre qualquer "mar
de lágrimas". Fico satisfeito por teres perdoado
as minhas palavras. Cada uma delas quer ser melhor
que a outra. Sabes?, isto de ser poeta não é de facto
coisa que se recomende, e um verbo é como o vento.
Se alteras o tempo verbal, mudas a direcção do
vento, quero eu dizer, a direcção do pensamento. O que
canto não é o que cantei, e também decerto não será
o que cantarei um dia. Por isso, estava a dizer-te
que o meu coração sorri. E não sorri
apenas. Adora andar por aí, a assobiar
o futuro. Fazendo justiça
a quem me lê.


JOAQUIM PESSOA
(Do livro a publicar, ANO COMUM)

domingo, 7 de agosto de 2011

BEIJO NOCTURNO

LUISA AZEVEDO

BEIJO NOCTURNO

E se dissesse agora que te amo?
Que o teu olhar bastou para me guiar,
abrir caminho
entre as densas silvas que se erguiam
e há anos tolhiam meu voar
Se dissesse
que os teus dedos foram espadas
de cárceres rasgar
fazendo a luz dos amanhãs clarear.
E se dissesse:
agora, amo-te…
porque me deixaste na cama o teu sorriso
que vem cobrir o meu, ao acordar,
trazendo o teu beijo à minha boca
ainda antes de o relembrar!
E, depois de uns dias sem te ver,
me segredou, por ti devo esperar!
E agora… que creio que te amo?!
Deixaste-me de ti o tal sorriso
que pelas noites a minha boca vem beijar.

LUISA AZEVEDO

HÁ QUE SER FERRAMENTA DA MÚSICA

  

"É preciso ser dental: ter entranhas: ser igual ao furor das coisas: Há que ser ferramenta de música"


 [Herberto Helder] ...


CURVA-TE APENAS PARA AMAR



"Curva-te apenas para amar."


René Char

Verdi.Nabucco.Va Pensiero.MET.2002

                                 
                             


Voa, pensamento...

e,


na tua fantástica beleza...


... ultrapassa a beleza do vento.


Não há palavras


nos aplausos,


há só a ternura


de as ter querido,


nos silêncios.


Este cantar


sinerge o caminho,


empurra


a sede


da vida.
 
 
JOSÉ SOTTOMYOR

GEO-GRAFIAS


Geo-grafias


A tua origem atlântica
É o oceano qu´eu gosto.


...O teu corpo de ondas
É o mar qu´eu gosto.


O teu rosto de índia
É a selva qu´eu gosto.


A tua matriz de Calábria
É o sal qu´eu gosto.


O teu olhar de amêndoa
É o luar qu´eu gosto.


Os teus lábios de cereja
São o sumo qu´eu gosto.


O teu sorriso de açúcar
É o mel qu´eu gosto.


A tua palavra serena
É a planície qu´eu gosto.


Os teus ombros redondos
São as montanhas qu´eu gosto.


Os teus seios dunas
São o Saara qu´eu gosto.


Os teus braços ternos
São as algemas qu´eu gosto.


Os teus passos de pássaro
São o voo qu´eu gosto.


O teu ar de jasmim
É o perfume qu´eu gosto.


A tua alma de Sol
É a luz qu´eu gosto.


O teu coração de oiro
É o coração qu´eu amo.




José Manuel Bastos/2001


José Manuel Bastos



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

PORTAS



PORTAS


cerram-se à noite
quando as gentes regressam
ao calor dos lares
nos seus interiores há sempre uma cadeira
às vezes
um soalho que serve de descanso
para um noite que teima em tombar
nas camas da acalmia
e do sossego
às vezes
envolto de sobressaltos
abrem-se
pelo amanhecer
na frescura de cada novo dia
onde a esperança
volta a palpitar
nos peitos da continua espera
entreabrem-se
quando a despedida surge
para lá de todas as memórias
e no esquecimento de tantas vidas
quando outras vidas
também acontecem
fecham-se para sempre
quando a ruína tudo encerra
e as forças não alimentam as almas
provocando um desvanecer
que jamais terá novo regresso
até ao simples abater


António MR Martins



Antómio Manuel Rodrigues Martins





LÁGRIMA


Luisa Azevedo
LÁGRIMA

corre uma lágrima triste rio acima
ao encontro da fonte, da nascente.
amanheceste num silêncio que lastima
o frio que na noite se fez quente.


seja o sentido sexto que me guia,
a estrela cadente que não viste.
aos poucos meu coração seguia,
iluminado, o céu para mim abriste!


foi-se a estrela d'alva, mal partiste
afastando de mim a luz do sol
e todo brilho da noite em que me viste.


deixaste abandonada a dobra do lençol
e de um negro mais negro me vestiste,
ao largo, perde o meu navio seu farol

LUISA AZEVEDO

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

5º CONVÍVIO/GERAÇÃO MUDANÇA


Amadeu Ferreira




5º Convivio/Geração da Mudança


Foi muito bom voltar a casa. Sentir que a nossa geração ainda está viva. Rever essa malta Fantástica da década de 60/70. Afinal, a Geração Rasca da mudança. Sim AMIGOS, olhando á luz do que se passam neste momento, é preciso, é urgente, avisar toda a gente. Navegar é preciso. Viver é imperioso, mudar é Urgente. Não a mais do mesmo. Nós ainda estamos VIVOS, temos que avisar a MALTA. Nunca mais partam de: CORAÇÃO TRISTE E SACA ÀS COSTAS. Voltaram um dia ou não contando histórias de lá de longe. Os nossos filhos merecem mais e melhor. QUANDO O PRÓXIMO ENCONTRO? muitos não responderam presente: O sumário não era "continuação da lição anterior". Vim de Longe de muito longe, o que passei prá qui chegar. OBRIGADO ESPECIAL Á COMISSÃO. Até Sempre...

Amadeu Ferreira


Amadeu gostei de ler, agora mesmo, esta nota que escreveste sobre o Convívio. Eu não estive presente e por isso nunca poderei escrever o sumário "Continuação da lição anterior" nem sequer "Revisões".Gostava muito de ter visto amigos como tu. Obrigada por esta lição de AMIZADE que nos dás...eu vim de longe, de muito longe....
Até sempre...onde todos escreveremos um sumário com palavras de AMOR e AMIZADE a letras de ouro para os nossos filhos e netos...

Maria Antónia Anacleto


Maria Antónia Anacleto






ESCOLA INDUSTRIAL DE S. JOÂO DA MADEIRA

A Escola onde estudei (Escola Industrial de S. João da Madeira)
Olho para o edifício da minha Escola e tenho saudades. O portão está fechado e não há alunos. Não há ninguém. Mas fez-me bem, hoje, tornar a rever esta foto. Acho-a tão linda... não fosse aqui que eu passei os momentos mais felizes da minha vida.... Estudava pouco e aprendi muito. Brincava muito e ria de mais. Eu dava gargalhadas estrondosas que vinham de dentro de mim. Eu espelhava felicidade no meu rosto.Passava despercebida porque era muito pequenina. Eu confesso mesmo, eu tinha desgosto de ser a mais pequenina da turma... mas eu era muito feliz. O Director Hipólito era nosso amigo e tinha tanto saber...para nos dar.Os professores não precisavam de ser avaliados. Nós sabíamos o que eles valiam.Foi um paraíso perdido da minha vida....junto de tantos amigos daqueles tempos...nós éramos tão respeitadores, tão carinhosos, tão cumpridores, tão solidários, tão amigos...tenho tantas saudades. Uma lágrima cai sobre o meu rosto...
 

Escola Industrial de S. João da Madeira
Maria Antónia Anacleto

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

EU BEIJO

Apontamento de José Sottomayor
Eu beijo
a flor
do teu sorriso,
...


as rosas brancas
que te afagam
contornando
o rosto,




as estrelas-lírios
que cintilam
nos teus olhos,




as marés brandas
do poente
que te cinzelam
formas
amando
no teu corpo,


a ternura
que de todo o ti
se evola
perfumada...


Eu beijo
a tua alma,


(que imensa me invade)



minha flor.






José Sottomayor

PASSEIO NA CIDADE


PINTOR ANTÓNIO GOMES ANACLETO
Passeio na cidade

PINTURA DE ANTÓNIO GOMES ANACLETO



                                     "Para além da quietude"  a,g,anacleto
                                                                  
António Gomes Anacleto

E MORREREI DE AMOR PORQUE TE QUERO

António Gomes Anacleto (aguarela)



segunda-feira, 1 de agosto de 2011

EU QUERO VOAR....

Foto de Rui Videira
"Justo quando a lagarta pensou que o mundo tinha acabado, ela virou uma linda borboleta"

Lamartine



Foto de Rui Videira

A vida precisa do vazio:
a lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta.
A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida.
Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito.
E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas.
A maioria acha o contrário; pensa que o bom é ser cheio.
Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria e falam sem parar.
São umas chatas quando não são autoritárias.
Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar.
A essas pessoas é fácil amar.
Elas estão cheias de vazio.
E é no vazio da distância que vive a saudade...


Rubem Alves