terça-feira, 23 de agosto de 2011

VÕO

Susana Duarte

VÕO.


Vôo.
Vou?
Vou mas....oh..
sem asas e sem céu,
sigo o caminho


(que não sei se é meu).


Habito uma ave de asas
incertas
em praias noturnas,
em praias desertas.


Habito a montanha
onde o cume de neve
me esconde o vôo
e não torna leve


(a peregrinação).


Ave estranha
de sons incompletos
nascida na noite
de vários desertos,
habito uma casa
de flores guardadas
e telhas içadas
que me tapam a nudez
de não saber


para onde vôo.



SUSANA DUARTE
  

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