sexta-feira, 5 de agosto de 2011

LÁGRIMA


Luisa Azevedo
LÁGRIMA

corre uma lágrima triste rio acima
ao encontro da fonte, da nascente.
amanheceste num silêncio que lastima
o frio que na noite se fez quente.


seja o sentido sexto que me guia,
a estrela cadente que não viste.
aos poucos meu coração seguia,
iluminado, o céu para mim abriste!


foi-se a estrela d'alva, mal partiste
afastando de mim a luz do sol
e todo brilho da noite em que me viste.


deixaste abandonada a dobra do lençol
e de um negro mais negro me vestiste,
ao largo, perde o meu navio seu farol

LUISA AZEVEDO

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