domingo, 24 de julho de 2011

93 ANOS COM NELSON MANDELA

93 anos com Nelson Mandela


Esta manhã na África do Sul, mais de 12 milhões de estudantes cantaram os parabéns ao ex-presidente e Nobel da Paz Nelson Mandela que completa 93 anos.


Assim como nos outros anos, Nelson Mandela festejou o seu aniversário com a família e amigos em Qunu, onde nasceu.


O presidente Jacob Zuma e o presidente dos EUA Barack Obama constaram na lista dos muitos líderes sul-africanos e mundiais que parabenizaram e elogiram Mandela.

“Um farol para a comunidade global, e para todos que trabalham para democracia, justiça e reconciliação”. Declarou Barack Obama num comunicado emitido este Domingo.

Nascido a 18 de Julho de 1918, Nelson Rolihlahla Mandela, foi umas das personalidades mais inspiradoras de todo o século XX, tendo sido o primeiro presidente negro da África do Sul.

Representou o exemplo de força e retidão, considerou conceitos como luta pela liberdade, verdade, justiça, e igualdade.

Este líder ativista criou condições para que o seu País reunisse forças e se reconcilia-se, reergue-se e que acima de tudo puse-se fim ao apartheid.

Em 1989 recebeu o prémio Internacional Al-Gaddafi de Direitos Humanos, e em 1993 o prémio Nobel da Paz, pela luta pela liberdade e igualdade entre os homens, no sentido de acabar com a segregação racial.

Em 2009 foi comemorado o primeiro “Mandela Day”, reconhecido pelas Nações Unidas como um evento com fim a incentivar as gerações futuras e levar a cabo a responsabilidade de cada um em fazer do Mundo um lugar melhor para todos.


Apesar de ter 93 anos, Madiba, como é também chamado na África de Sul, é ainda o símbolo da união e da Paz em todo o Mundo.

sábado, 23 de julho de 2011

LUCIEN FREUD



Lucien Freud
   

A morte do pintor que nos despiu                                                                                          






 "Eu pinto as pessoas não precisamente pelo que elas parecem, não exactamente pelo que elas são, mas como deveriam ser"
LUCIEN FREUD

quinta-feira, 21 de julho de 2011

AMOR

Foto de Rui Videira


AMOR

Amor o teu rosto à minha espera, o teu rosto
a sorrir para os meus olhos, existe um
trovão de céu sobre a montanha.


as tuas mãos são finas e claras, vês-me
sorrir, brisas incendeiam o mundo,
respiro a luz sobre as folhas da olaia.


entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos,
este dia será sempre hoje na memória.


hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas,
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.



José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ALEGRIA FICTÍCIA

Foto de João Costa

Criatura de Alma inquieta
Andorinha sem beiral
voas em círculos de festas
julgam-te bem e tu estás mal...
vives um dia de cada vez
com alegria fictícia
que a vida amarga uma vez
era já uma injustiça...
e renasceste...
e cresceste forçada
numa solidão tamanha...
mas não estás abandonada
nem mais ninguém te apanha
tu já és voo de águia
já é firme e convicto
que só desce à presa
nem que seja pelo grito!!!!


Ricardo Nuno Correia

domingo, 17 de julho de 2011

DESEJO DE UMA VOZ

Foto de Ricardo Nuno Correia

hoje és o desejo de uma voz


és a fonte que jorra


amor pelas gotas seguidas


és a semente dentro da noz


ainda que pareça que morra


és alma ainda querida


para nós!!!
 
Ricardo Nuno Correia

sexta-feira, 15 de julho de 2011

PARAÍSO

Foto de Ricardo Nuno Correia

SERRA DA ESTRELA
DESCRIÇÃO: Julgei-me no Paraiso!Mas apenas ilusão, mas a magia ficou, o gélido ar queimava os dedos, o clik foi a recompensa!


Para todos os que vivem nas nuvens!




RICARDO NUNO CORREIA

NOS TEUS LÁBIOS - MIGUEL PAULISTA

                   

quinta-feira, 14 de julho de 2011

HOJE, APETECE-ME

                              


Moz...art,
Art...from...Moz.


Hoje,
apetece-me.
...
A grande música
é como voar,


é como tu e eu,
a respirar.


Nem a montanha
nem o rio
querem desafio,


simplesmente,
abraçam-se.

JOSÉ SOTTOMAYOR

CHOPIN NOCTURNE OP 9 NO 2



                  

Luis Cambra




já agora e porque estou assim, nocturno.


Sem medo do escuro e sem temor aos fantasmas que habitam nele.


Luís Cambra

SOU EU MEU ANJO

                       



SOU EU MEU ANJO

Agora que a prata entra no meu crânio.....
que o silêncio passa devagar
julgam os outros
que me vou matar!!!!!
e já me matam aqui
onde não quero nem devo estar!!!!
pois a guerra começou....
não sei onde vai parar!!!
mas sinto-me fora de mim...
sem puder explodir
fazem de mim, o que não sabem de mim
e eu não vou desistir!!!


Mais intenso
sou a falta de ti
sou a falta de mim
sou a luta e o ar
entre a gravidade e o desejo
sou eu meu anjo
sem dar
sem ar
sem crer nem criar
mas sou eu!!!!
e quando chegas, encho em mim o peito
entra em mim outro querer
outra força
outro sentir
outro Mar outro Morrer!!!!
onde me matam
as saudades
a ausência noutra língua

mas me enterra aqui na alma
a tua beleza singela!!!!
sou eu
onde o mundo pára
e eu acordo
fora
de mim
em Eduardo
ou afins
!!!

só para morrer no mar
Vou deixar o tempo procurar os nossos momentos
e neles me encontrar
e saber aproveitar.....
onde andam os nossos pensamentos
e os nossos desejos...
e nesse sonho real...
entrar!!!


RICARDO NUNO CORREIA



Ricardo Nuno Correia
 



quarta-feira, 13 de julho de 2011

BELÍSSIMA, INTENSA, COMOVEDORA MISSA

Foto de José Manuel Fernandes
Não sou crente, não possuo o dom da Fé, mas há momentos em que sinto a falta de deus ao perceber como outros vivem com Deus. Acabo de viver um momento desses durante a belíssima, intensa e comovedora missa em memória de Maria José Nogueira Pinto nos Jerónimos.


JOSÉ MANUEL FERNANDES

SINTO-ME AMADO

        Foto de Rui Videira

É  dentro do teu corpo, solto e aprumado


nesse canto à luz do luar


que me sinto amado.


É no espaldar das tuas costas. frias, nuas


que deixo os meus dedos acariciar


...o teu corpo suado.


É O sentir apressado desse bater a descompasso


em que o entrelaçar dos dedos


nos conduz ao abraço.


É, não sendo, a fortuna da vida


ou da morte frívola,


fingida, agressiva,


mas certa...


Gil Fernando Milheiro


(Agosto 2010)

FUI MARCADA POR RUI VIDEIRA NESTA FOTO

Maria Antónia Anacleto was tagged in Rui Videira's photo.


Foto de Rui Videira



Obrigada, Rui. Esta foto diz tudo....ternura, sensibilidade, felicidade,amor, amizade, vida.... 


Silva Escura; Portugal;

sábado, 9 de julho de 2011

NAQUELE JARDIM



Foto de Rui Videira

NAQUELE JARDIM 


Danosa a árvore
Danosa é aquela árvore do Éden
Naquele jardim, situado na fronteira
Do ser, e do querer ser, fruto
No maduro ventre, luminoso,
De lábios incandescentes.


A palavra reformulou os hábitos
E a maçã não é aquela
Onde o poeta ia beber o sol
E semear as sementes no coração
De todas as mulheres maduras,
Abertas à luminosidade do poema,
À doçura dum tempo novo,
De seios iluminando o mundo.
Amamentando, com a sagaz ferocidade
De aves protegendo o ninho.


Danosa árvore de fruto ardiloso
Que na sublimação dos gestos
Se compraz na malícia dos lábios.


Joaquim Monteiro

MASTURBAÇÂO



MASTURBAÇÃO




Eis o centro do corpo
o nosso centro
onde os dedos escorregam devagar
e logo tornam onde nesse
centro
os dedos esfregam - correm
e voltam sem cessar


e então são os meus
já os teus dedos


e são meus dedos
já a tua boca


que vai sorvendo os lábios
dessa boca
que manipulo - conduzo
pensando em tua boca


Ardencia funda
planta em movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde


E todo o corpo
é esse movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde


E todo o corpo
é esse movimento
em torno
em volta
no centro desses lábios


que a febre toma
engrossa
e vai cedendo a pouco e pouco
nos dedos e na palma


MARIA TERESA HORTA

         Maria Teresa Horta


sexta-feira, 8 de julho de 2011

EU SOU A MINHA POESIA

Maria Teresa Horta
POEMA/ AGRADECIMENTO



“Costumo dizer:
eu sou a minha poesia.


Mesmo fogo e lago, mesma chama na teima de ser voo na
atadura dos versos, como se quisesse abismar-me numa rosa,
palavras matizadas de espinhos e de estrelas, de queda, com
cintilações de luz.
Mesma paixão e mão que escreve, mesmo imaginário,
a criar o poema.


Eu sou os meus poemas.


No arder do excesso.
No tumulto da beleza.
Nas vozes que me nomeiam e me inventam – ou eu me invento
e me entrego,
através da escrita.


Portanto, ao atribuírem um prémio a “Poesia Reunida”, que
une e enlaça – entrelaça quase toda a minha obra poética editada
até hoje, estão a premiar-me a vida.


Porque
a minha poesia.
Sou eu.


Sobretudo e também por isso.
Obrigada.


NARIA TERESA HORTA


quinta-feira, 7 de julho de 2011

NADA ME FALTARÁ

Maria José Nogueira Pinto (faleceu a 06/07/2011)
 
NADA ME FALTARÁ


Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.


Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.


Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.


Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.


Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.


Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.


Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.


Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.


A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.


Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.


Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.


Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.




Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.




Por MARIA  JOSÉ NOGUEIRA PINTO (último artigo escrito)

A MÃE

Eu estava na barriga da minha Mãe (Praia de Espinho)

A Mãe (Poema LIX)



A Mãe está onde está a camisa púrpura
e onde a tempestade sacode a espuma dos gerânios.
Onde se apagou a lareira e esse fogo bom
na parede dos ossos. Está no musgo que cresce
nos velhos pinheiros de onde a noite pende.
A Mãe está nas arestas do corpo onde
o toiro respira e se espreguiça a andorinha.
Onde a ansiedade apoquenta, onde resvala
o coração sujo de melancolia, negro,
negro como o motor de um corvo. Está
no Livro da Morfina, nos tocadores de viola
com grandes pés de anjo e nos operários construindo
paredes de lume em andaimes de cinza.
A Mãe está onde o moinho escondido
trabalha no peito com a roda do olhar.
Onde ainda arde a madeira verde das estrelas.
Onde o tiro parte e se agita o vento. A Mãe
está na noite que vaza as veias por uma ferida
no ventre. No parto dos pássaros. No som
dos ossos quando partem. A Mãe está nua
interrogando-se como um navegador sem sexo
onde o cão lambe o medo desses peixes azuis.
Na insatisfação e no martírio de uma água inteira.
Nas margens da minha cabeça. No aroma fixo
dos espelhos. A Mãe está na viagem das semanas.
No pólen e na rede. Na pedra parada. E na pedra que voa.
Está na paixão dos olhos. Nos bosques do sangue, nas
clareiras do sangue, na chuva em catedral.
A Mãe está no crime dos heróis. Nos joelhos
do rio. Na cama, na doce cama dos salgueiros.
Nos riachos do orvalho. No lume da cebola.
A Mãe está nos ombros de cada um dos meus instantes.
Onde a emoção se diz e se suspende. Onde
a noite e a língua se observam. Onde nascem
equilíbrios. Onde os crânios e as lâmpadas arriscam.
A Mãe esta nos pulmões do meu abismo. Está
no lenço rasgado das roseiras. E na ira do frio.
No chicote das palavras. No silvo. No sítio
do poema. Onde tudo é brusco e arde. Aí,
nessa carne da dúvida, sem dúvida, está a Mãe.
 

JOAQUIM PESSOA




in O POUCO É PARA ONTEM, Litexa, 2008;



terça-feira, 5 de julho de 2011

TERROR DE TE AMAR

Foto de José Manuel Fernandes

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição


Onde tudo nos quebra e emudece


Onde tudo nos mente e nos separa


SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

AOS MEUS NETOS AFONSO E MANUEL

O Manuel e o Afonso (19/03/2011)

Aos meus netos AFONSO e MANUEL

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.


Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.


Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 3 de julho de 2011

O TEU VENTO



Foto de José Manuel Fernandes

O TEU VENTO

Na tua presença,
as palavras
esgotam-se
no teu ti,


há uma auréola
de tempo
sem tempo,


e no teu coração
eu entro,
e sinto-me
por dentro.


Quando
os teus cabelos
esvoaçam,
e as nossas bocas
se perpassam,


quando
o teu corpo
se desenha
nas minhas mãos,


e o teu respirar
respira o meu,


eu sinto-me
a folha mais feliz
arrastada
pelo vento,


...o teu vento.


JOSÉ SOTTOMAYOR

ISTO É MAIS DO QUE O TEMPO PODE APAGAR

sábado, 2 de julho de 2011

O ENCONTRO


Foto de Rui Videira
O ENCONTRO

Como se um raio mordesse
meu corpo pêro rosado
e o namorado viesse
ou em vez do namorado


um novilho atravessasse
meus flancos de seda branca
e o trajecto me deixasse
uma açucena na anca


como se eu apenas fosse
o efeito de um feitiço
um astro me desse um couce
e eu não sofresse com isso


como se eu já existisse
antes do sol e da lua
e se a morte me despisse
eu não me sentisse nua


como se deus cá em baixo
fosse um cigano moreno
como se deus fosse macho
e as minhas coxas de feno


como se alguém dos espaços
me desse o nome de flor
ou me deixasse nos braços
este cordeiro de amor


Natália Correia (1923-1993)

O ESPÍRITO

  

Natália Correia
 O ESPÍRITO
Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;


E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.


Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:


Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.


In: Sonetos Românticos
NATÁLIA CORREIA

sexta-feira, 1 de julho de 2011

UM LAR

      Foto de Joaquim Pessoa 
UM LAR
Quero um lar
onde meu corpo
não corte o vazio,
nem minha voz se perca
em monólogos submersos,
nem meus pés descalços
ecoem em avenidas de solidão,
nem o cansaço se desfaça
na fadiga do silêncio,
nem as horas sejam
encontros de passagem,
nem a madrugada se revele
mentira duma noite de amor.
Quero um lar
onde o aconchego dum abraço
seja certeza dum sorriso
chamado amanhã!

JOÃO COSTA