| Foto de Rui Videira |
NAQUELE JARDIM
Danosa a árvore
Danosa é aquela árvore do Éden
Naquele jardim, situado na fronteira
Do ser, e do querer ser, fruto
No maduro ventre, luminoso,
De lábios incandescentes.
A palavra reformulou os hábitos
E a maçã não é aquela
Onde o poeta ia beber o sol
E semear as sementes no coração
De todas as mulheres maduras,
Abertas à luminosidade do poema,
À doçura dum tempo novo,
De seios iluminando o mundo.
Amamentando, com a sagaz ferocidade
De aves protegendo o ninho.
Danosa árvore de fruto ardiloso
Que na sublimação dos gestos
Se compraz na malícia dos lábios.
Joaquim Monteiro
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