TÃO TÉNUE É A SOMBRA
Sobre a fina linha
Sei da alta claridade
Pela ausência do corpo
Na sombra
O desejo paira, sobre
A fina linha
Sobre o ponto, onde,
Os dedos
Incendeiam o tecido.
O peito arde
Os ombros na luz, são enormes
Reflectem a leveza dos lábios
O alto voo das aves
A inocência
A lágrima juvenil
O grito insustentável.
Puro o rosto, no esplendor
Das águas
Em círculos nascem os frutos
No sorriso
Inteiramente leve a sombra
Nos seios
Porque o algodão doce pega
Os lábios
Os mesmos lábios que imploram
A mente
A subtil sedução da voz.
Há uma ponte muito curta
Entre as bocas
O arco é perfeito
Sólidas as palavras, ligam
A saliva às margens
Flutuantes e elásticos
Os momentos.
Neste tempo, o cardo floriu
Já as sombras passaram
No leve romper do véu.
As cigarras cantam os últimos
Acordes
E os nossos dedos, são vaga-lumes
No caminho do sonho.
Joaquim Monteiro

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