sexta-feira, 13 de maio de 2011

TÃO TÉNUE É A SOMBRA


TÃO TÉNUE É A SOMBRA

Sobre a fina linha


Sei da alta claridade
Pela ausência do corpo
Na sombra
O desejo paira, sobre
A fina linha
Sobre o ponto, onde,
Os dedos
Incendeiam o tecido.


O peito arde
Os ombros na luz, são enormes
Reflectem a leveza dos lábios
O alto voo das aves
A inocência
A lágrima juvenil
O grito insustentável.


Puro o rosto, no esplendor
Das águas
Em círculos nascem os frutos
No sorriso
Inteiramente leve a sombra
Nos seios
Porque o algodão doce pega
Os lábios
Os mesmos lábios que imploram
A mente
A subtil sedução da voz.


Há uma ponte muito curta
Entre as bocas
O arco é perfeito
Sólidas as palavras, ligam
A saliva às margens
Flutuantes e elásticos
Os momentos.


Neste tempo, o cardo floriu
Já as sombras passaram
No leve romper do véu.
As cigarras cantam os últimos
Acordes
E os nossos dedos, são vaga-lumes
No caminho do sonho.




Joaquim Monteiro

Sem comentários:

Enviar um comentário