domingo, 1 de maio de 2011

TERNURA

O Afonso e o Manuel

"Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,


acordarei entre os teus braços.


a tua pele será talvez demasiado bela.


e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.


um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for


tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada


de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da


nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso


será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi


nem uma palavra, nem o príncipio de uma palavra, para não estragar


a perfeição da felicidade."




José Luís Peixoto

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