sexta-feira, 13 de maio de 2011

PRÉMIO CAMÕES - 2011 - MANUEL ANTÓNIO PINA

Manuel António Pina
A ferida


Real, real, porque me abandonaste?
E, no entanto, às vezes bem preciso
de entregar nas tuas mãos o meu espírito
e que, por um momento, baste


que seja feita a tua vontade
para tudo de novo ter sentido,
não digo a vida, mas ao menos o vivido,
nomes e coisas, livre arbítrio, causalidade.


Oh, juntar os pedaços de todos os livros
e desimaginar o mundo, descriá-lo,
amarrando-me ao mastro mais altivo


do passado! Mas onde encontrar um passado?




MANUEL ANTÓNIO PINA

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