sábado, 7 de maio de 2011

MAS PORQUE VIM EU PARA CÁ?

Alentejo imaginado por Gabriel Rito

MAS PORQUE VIM EU PARA CÁ?
"A terra que me gerou…"


Terra onde não estou
Terra onde nasci
Terra onde germinou
Tudo o que em novo vivi.


Terra do milho e do pinheiro
Terra do lavrador
Terra do trigo e do centeio
Terra adubada com suor.


Dos avós veio a tradição
De trabalhar Sol a Sol
Até criar calos nas mãos
Para se ganhar o pão.


Vêem-se os lavradores
Com arados e canseiras
Removendo a terra seca
Na época das sementeiras.


Vêem-se as lavadeiras
Lavando com mil cuidados
Suas roupas domingueiras
Para aparecer aos namorados.


Vêem-se os moleiros
Em fila pelos caminhos
Toque, toque, atrás das mulas
A caminho dos moinhos.


Vêem-se os resineiros
Com farnéis e suas latas
Extrair seiva dos pinheiros
Galgando frondosas matas.


Ouve-se a voz do carteiro
Que traz notícias de fora
De moça ou rapaz solteiro
Que de longe ou perto namora.


Vêem-se em noites de luar
Costumes da tradição
Desde a debulha ao malhar
O milho que dará pão.


“Milho Rei, espiga vermelha
A quem sair, beijo darei
E ao que sair primeiro
Eu com ele me casarei”.


É esta a terra do milho
É esta a terra do pão
Que semeou cada filho
Da semente de sua mão.


Eis a terra de onde vim
O meu saudoso torrão
Terra que dentro de mim
Semeou esta canção.


Gabriel Rito




Gabriel Rito

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