quarta-feira, 25 de maio de 2011

ÉS AQUELA

ÉS AQUELA


És uma deusa e caminhas sobre o sonho
Transmutas-te para além do transmutável.
...Estás em mim como cereja na boca
Com sexo em noite de exaltação
Como a romã que ama o verão
As estrelas que lhe fecundam a flor
O seu orvalhado vinho em noites de Salomão.
Assim te vejo, com violinos nos olhos
com a ternura do véu a descobrir-te.
És a maçã que me foi dada pela irreverência
dos deuses no amor.
És aquela por quem a lua passa e não sossega
Tamanha a claridade do rosto,
Iluminando o quarto dos sentidos deformados.
És cavalo alado sobre as ondas de meu corpo,
teu tropel aflige-me no silêncio das mãos.
Vejo-te em todas as esquinas de mim
Em todos os pontos onde meus lábios não chegam.
Assim te tenho acima de conceitos e preconceitos
E pela terra espero o tempo, em que as oliveiras
e as videiras dêem os seus frutos,
porque pão há em ti, em abundância.
Iluminarás as azinhagas de ternura e de mistério
matarás a sede a viandantes apaixonados
E serás carne e ossos e passos de dança.
Jamais o homem sofrerá de solidão
perguntando às estrelas qual a razão
de tamanha benevolência e inovação.


JOAQUIM MONTEIRO


Ilustração: "Spring Promise", de Edson Campos

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