INSANO
recordo ainda ínfimas pétalas,
botões instalados no interior de um véu quase lácteo,
a florirem em estiramentos agradavelmente dolorosos.quão frutífera é esta dor que cresce de dentro
e alimento, alimento…
esta dor a quem mato sede e fome
para que me nutra a alma,
me escorra sanguínea em tinta ainda morna.
esta dor rubra,
que azulo no ventre
e risco sempre em ondas de ternura.
LUISA AZEVEDO
