| Na Secretaria do Colégio de S. Gonçalo |
Ontem sonhei que estava no Colégio de S. Gonçalo, em Amarante... O local onde me encontrava estava escuro. Havia secretárias e a janela grande que dava para o jardim estava
com as persianas fechadas. Era domingo e não era permitido abri-la...
Ouvia os melros a cantarem, como num canto celestial, em conjunto com os outros pássaros e pelas frinchas das persianas, percebia-se que o dia estava cheio de sol e eu imaginava o jardim muito colorido e ao longe umas árvores frondosas que eram a casa grande dos pássaros.
Ouvia os melros a cantarem, como num canto celestial, em conjunto com os outros pássaros e pelas frinchas das persianas, percebia-se que o dia estava cheio de sol e eu imaginava o jardim muito colorido e ao longe umas árvores frondosas que eram a casa grande dos pássaros.
Mas ali, estava escuro, tão escuro! Eu via muitos papéis espalhados pela secretária: mapas para preencher que exigiam muita atenção, formulários com prazos, estatísticas, respostas e mais respostas para dar a ofícios, muitos ofícios. Eram montes de papéis e só havia mesmo papel e estava escuro...
No cimo das escadas interiores ouviam-se vozes, muitas vozes, de jovens alunas, e entre tantas vozes, escutei um choro de criança que fez com que o meu coração estremecesse: era o meu filho pequenino, indefeso e que chorava por querer o colo da mãe... e queria os meus braços, bem sentidos, no seu corpinho e muito apertados ao seu coração.
No cimo das escadas interiores ouviam-se vozes, muitas vozes, de jovens alunas, e entre tantas vozes, escutei um choro de criança que fez com que o meu coração estremecesse: era o meu filho pequenino, indefeso e que chorava por querer o colo da mãe... e queria os meus braços, bem sentidos, no seu corpinho e muito apertados ao seu coração.
Continuei a trabalhar, com mágoa, ignorando o choro, para não dispersar o meu raciocínio e continuar a trabalhar num domingo com sol e escuro, muito escuro, porque as persianas tinham que continuar cerradas...
Não sei se foi um sonho ou um pesadelo. Acordei, estava sozinha no meu quarto. Acendi a luz do candeeiro e senti que estava cansada dos meus olhos pela escuridão e ter tanto desejo de ver luz. Pensei como para me tranquilizar que era só um sonho e estremeci pela vida que tive.Olhei em redor, vi uma foto do meu filho com os meus netos que sorriam e havia luz, muita luz nos seus sorrisos que me encheram a alma numa vida tão vazia... Apaguei a luz e tudo, mesmo
tudo, dentro de mim, era tão escuro, porque isto é mais do que o tempo pode apagar.
Maria Antónia
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