DIA 318.
Tenho orgulho em ti, orgulho em quem acredita que sempre
é possível. Em ti, que repartes o que recebes e voltas a rece-
ber o que ofereceste como natural recompensa da tua genero-
sidade. Ser solidário, amante do amor, coração aberto aos ou-
tros e ao mundo.
Tenho orgulho também na tua força, e na tua coragem, e na
tua inspiração. Perdi a conta às vezes que respondeste a ofen-
sas com um sorriso. Vi-te tentar passar com toda a discreção
entre gente que adoraria ser reconhecida a teu lado. Sempre
que perdeste, ganhaste a admiração dos que venceram. Quan-
do ganhaste, sempre procuraste não exibir a condição de ven-
cedor. Porque acreditas, porque sabes que é possível ser me-
lhor, ainda que não se possa ganhar sempre, e que nem sem-
pre acrescentamos alguma coisa à nossa vida quando ganha-
mos.
E tenho orgulho em ti, sobretudo, porque nunca fazes seja o
que for para conseguir esse orgulho, essa admiração genuína
e profunda por parte dos que te conhecem e que nunca preci-
saram de fazer o mínimo esforço para gostar de ti. E porque
é muito o carinho, a ternura, o amor que tens necessidade de
oferecer à vida, sem nada pedir em troca, sem nada esperar
em troca.
É por tudo isto o imenso orgulho que tenho em ti. E nem direi
o teu nome porque sei que não gostarias que o fizesse.
JOAQUIM PESSOA
in ANO COMUM, Litexa, 2011 (Introdução de Robert Simon;
Posfácio de Teresa Sá Couto.
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