O silêncio veio falar comigo
Trouxe-me lençóis nocturnos
Afectos breves de verdes tempos
Sinto-lhe o hálito frio
Paredes assustadas nas lembranças
Ansiosas escorrem os medos
Aconchegam-se-me na alma
E na cama acobreada de memórias.
Fecho os olhos, tentando visionar
Aquela suave brisa de cambraia
Que meu peito afaga de leves lábios
Sem se quer deixar o murmúrio na pele
De ave riscando o céu na iluminada noite.
Diz-me silêncio, se esta luz que me banha
É a luz clara do luar fecundo
Ou serão os meus olhos feridos
De tanto olhar interrogado.
Silêncio que te consigo ouvir, no respirar
Pesado e fundo do abismo olhar
Aquele por quem a noite suspira
No helicoidal sentir e etéreo ai.
Joaquim Monteiro
2011-03-31

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