Vasco Graça Moura
não me peças perdão. A culpa é minha:
foi este tempo todo descuidado,
foi não achar que o fim um dia vinha
foi ficar sem defesas a teu lado
foi nunca te lembrar em sobressalto
foi não deixar falar a tua boca
foi não pensar em ventos no mar alto
foi tanta coisa, tanta, hoje tão pouca
foi deixar-me viver em falsa paz
foi afagar-te as mãos sem as prender
ou foi predê-las mal e tanto faz
julgar que se morreria de prazer
agora é tarde, sim, tarde de mais
tropeço às cegas nesta dura lei,
não sei se vale a pena dar sinais
e o que te hei-de dizer também não sei
in Poesia 2001/2005 Vasco Graça Moura

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