O Amor
Meu amor sente de longe o amor comigo
Mas não me queiras dar os teus cabelosDeixa que eu conte os séculos nos fios
O tempo em que andavamos desnudados
Em que tinhamos fome mas eramos felizes
E nos alimentavamos do cantar das aves
Também por ventura não me dês as mãos
Porque importa-me que elas sejam pássaros
E que levantem sempre quando as toque
Comer-lhe uvas em dias quentes de Verão
E quando o Inverno se apoderar da pele
Deixa que elas sejam o meu próprio fogo
E se o teu sorriso me quiser assaltar a bocaDeixa uma nesga de fora para tomar mais tarde
Senão eu saberei já tanto do campo e das flores
E eu quero-te degustar como pela primeira vez
Em que latejavamos para saber o que era um beijo
E o amor era o desejo de mãos dadas em gestação.
manuel feliciano

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