quinta-feira, 16 de junho de 2011

O RASTO DO AMOR



O RASTO DO AMOR por Rogério Edgardo Xavier




Esta janela que não abre
Este quarto escuro
Onde o sol permanece no fundo do mar
Como um coral à espera dos dedos
Em devaneios por longínquos cabelos
Abrindo o seu perfume no coração da terra
Vem-me um silêncio a álcool ardendo nos lábios
Na loucura de um pássaro dardejante
Escavando nas pálpebras a humidade dos astros
Onde a semente verte na montanha de carne
E o degredo nasce por entre a cratera da boca
Suspiro um beijo teu que me devolva a vida!


Manuel Feliciano, in "Uma Flor ao Luar"

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