domingo, 23 de outubro de 2011

SENDA

Luisa Azevedo

SENDA




sabes… tantas vezes me apetece imaginar que nada foi?


passou um vulto que me ocupou o olhar, o tempo.


mas mantém-se no horizonte um navio que me segue os passos,


rumando a nenhures.


por vezes cai na fenda do sol


e amanhece nos meus sonhos de rosto queimado,


recordando-me a texturas das velas,


o aroma da noite,


as paredes da casa,


recordando-me qualquer coisa de ti!


quase sempre o último beijo,


quase sempre!


e eu fico depois a saborear-te em todos os outros beijos,


dentro dos meus.




LUISA AZEVEDO

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