sábado, 29 de outubro de 2011

ÉS O POEMA

Miguel  de Carvalho

ÉS O POEMA

és o poema e a aurora
que esboça no corpo um discurso húmido de cânticos nocturnos


és o poema e a fissura dos meus olhos
donde derramo a tinta com que escrevo teu nome


és o poema que perdura cardíaco
entre labaredas e jardins proibidos das geografias internas


és o poema e o consolo duma boca
que beija no ventre uma borboleta em chamas


és o poema e a navegadora sem tempo
no meu peito de pétalas secretas


és o poema e a intimidade de uma lágrima
onde sal nocturno segrega a espuma do sonho


és o poema de todos os poemas até à bruma no horizonte




MIGUEL DE CARVALHO


"movimento embriagado do tempo da flor" - collage sobre fotografia do autor (1995, 2007)
© miguel de carvalho






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