domingo, 2 de outubro de 2011

FOGE-ME O CÉU

gostava que lesses no meu rosto a promessa de paz
e nos olhos encontrasses um rio seguro
onde a tua alma quisesse aproar.
Luisa Azevedo
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FOGE-ME O CÉU

por muito que aguarde
sei que os teus olhos desertores não trarão tuas mãos,
ou elas, vazias de nós, não mais virão.
continuo a querer tocar a lua enquanto o céu se afasta,
te afastas
e visão nocturna se nubla de leitosas estrelas,
mareantes dos ares,
tripulantes de todas as barcas de todos os amantes.
e eu, navego sozinha para lá da chegada!




aproarei numa ilha que o mar não banha,
uma ilha onde no coração das conchas não há cânticos,
e não há poemas escritos nas rochas,
ou nalguma língua de areia
uma ilha onde a brisa é o frio silêncio a que me entrego
perguntando-me… que fiz eu ao amor?

LUISA AZEVEDO

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