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| Fotografia: Fairyland, de Katia Chausheva |
SURDO, SUBTERRÂNEO RIO DE PALAVRAS
Surdo, subterrâneo rio de palavras
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.
Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
- surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?
EUGÉNIO DE ANDRADE, in OS AMANTES SEM DINHEIRO (1950)

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