sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O QUE SÃO AS NOSSAS CERTEZAS?

Foto de José Manuel Fernandes

O QUE SÃO AS NOSSAS CERTEZAS?


Disseram-me, desde muito novo (talvez desde sempre), que era Católico. Poderiam ter-me dito que era Protestante, Islâmico, ou outra coisa qualquer. Tal como nasci Português, poderia ter nascido Inglês, Alemão, amarelo ou preto, que fazer..?


A verdade porém, é que cedo se revelou em mim este espírito indagador que toda a vida me tem seguido. Imbuído da inquietude que me provoca o permanente questionar, assim como de uma certa rebeldia e força contestatária que me caracterizam (mais outrora do que agora), decidi marchar contra o sistema. Procurava uma evidência de Deus. Procurei-o durante muito tempo mesmo, e devo dizer que nada encontrei de suficientemente convincente.


O problema, no entanto, é que a minha busca seguira um caminho errado. Como quem procura um elefante num buraco de formiga, ali estava eu, buscando por uma resposta a uma pergunta do tamanho de toda a existência, no ínfimo espaço do entendimento racional humano.


A verdade, é que para além dos parâmetros da racionalidade inteligente, intuímos mais do que explicamos, uma certa organização inteligente no universo em que existimos. No que respeita a mim próprio, sinto como se um arfar constante indefinido, de uma vida para além da que consigo conter na minha visão.


Mas estou a desviar-me do que pretendia dizer. Parece hoje cada vez mais um estigma, ou até "provinciano" admitir-se a crença na existência de Deus. Só um idiota, acreditaria na existência de algo que não se vê, nem é palpável. Acho que o problema está na forma como nos impuseram a ideia de Deus. Algo imaterial, com poderes indescritíveis, nosso amo supremo e senhor de uma justiça implacável, mas que, no fim, deixa que o mal permaneça em convívio com o bem.

As pessoas encontraram-se desiludidas e nada convencidas da existência de uma Entidade assim. Pois bem, graças a isso, não me digo Católico, Islâmico, Protestante ou o que quer que seja.


A mim, o que me interessa, tal como à maioria de nós, é ser feliz (não quer dizer que o consiga). Ora, o que me parece é que ninguém é feliz sem ser optimista. O optimista, por seu turno, é alguém que tem esperança. Esperança de melhorar sempre a sua realidade e de ver alcançado o produto do seu labor.


No fim de tudo, eis-me chegado à conclusão que vos quero transmitir, crer em Deus e numa vida para além desta, é tão só, uma atitude optimista face à vida. Não faz mal a ninguém. Falo do Deus que é o de cada um, não aquele que é professado por algumas religiões até à doença. Falo na esperança motora de toda a nossa actividade. Falo no encontro de um sentido para a vida e para tudo quanto nela passamos. Falo na recusa em aceitar que apenas nascemos para um dia parecermos.


Isto, para um espírito inquieto como o meu, tem muita importância. Há muito que vi o filme da vida. Há muito que deixei de ser criança e canso-me já de tantas perguntas sem resposta.


Crer em Deus, neste sentido, é pois uma libertação. Libertação da angústia existencial que não me larga e que tantas vezes me traz triste, infeliz e desenquadrado. Já me chamaram mesmo, "um permanente inadaptado" :).


Não, definitivamente não. Não consigo racionalmente concebê-lo, mas hei-de a mim impor-me, essa ideia de que Deus existe. Deus, o meu Deus, será a tradução da minha esperança, a alavanca do meu optimismo e a viabilidade da minha felicidade.


Desculpem-me se vos macei com este longo e pessoal discurso, mas habituei-me a que me aturassem nestes devaneios.




MIGUEL BRAAMCAMP MANCELLOS


Miguel Braacamp Mancellos



Sem comentários:

Enviar um comentário