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| Foto de José Sttomayor |
DIA 142
O mar é como um rato que incessantemente vai roendo
a curva das baías e as costelas dos promontórios. E depois
digere, longe e fundo, a sólida refeição, transforma a for-
ma e o perfil da "terra nostra" no "mare nostrum". E o ven-
to que policia a costa, não dá por nada, não sabe, não sen-
te, não se senta para pensar.
Por isso, quem pensa como o vento, não pensa. Apenas
passa. À pressa.
Um rasto frio, um fio fácil, dócil. dúctil, é quanto resta. O
tempo que se arrasta, o rosto que se apresta, o risco que
se aprende, o rasgo que nos dói, o rato que nos rói, o mar
que nos devora.
É agora. Quem sabe que não sabe, também sabe. Seja ave,
seja homem, seja livro, será livre de entender, de refazer,
reconhecer, amar.
O mar, o mar é como nós. Tem vida, tem voz. Tem ondas
de violência, tem ondas de prazer. Vontade de ferir, de
destruir. Desejo de dormir e descansar. De espreguiçar. E
namorar a terra, sem nunca querer casar
JOAQUIM PESSOA
(Do livro a publicar em Outubro, ANO COMUM)

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