sábado, 1 de março de 2014

AMIGO


Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
festa!

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande



Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'

sábado, 15 de fevereiro de 2014

O SILÊNCIO


Quando a ternura

parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,

inda demora,

quando azuis irrompem

os teus olhos

e procuram

nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras

desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.

Eugénio de Andrade, in "obscuro Silêncio"


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

TERIA

teria

que ser mesmo azul
o mar azul
da felicidade do azul dos meus olhos...

não te questiono

sei que me amas sem limites

sei também que te amo muito...
sem quaisquer limites...
bordando-te...da maior ternura...

teria

que ser mesmo muito azul...
o mar que nos juntou...
o mar que nos amou...

o mar.de.nós...

José Sottomayor

Foto de José Manuel Fernandes

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

VESTIDA DE DESEJO....



Deixa-me mergulhar no teu corpo...nua...tua...vestida de desejo
Vem acender o meu fogo...aquecer o meu sangue...sem pudor
Sobre a minha pele escaldante...deixa a seiva doce do teu beijo
Onde morro e renasço e o teu corpo derrama a semente do amor

Tece fios de madrugada no meu ventre...desejos na minha boca
Em ti me perco...em mim te abres na incandescência da loucura
No delírio dos corpos...nos desvarios da paixão...toma-me louca
Quando num êxtase de volúpia...saciado te derramas em ternura

Por um instante...vem e bebe do meu corpo a volúpia do prazer
Neste rio de lava ardente que por mim corre...que em ti deságua
Vem...dá-me o teu corpo...morde a minha boca...possui o meu ser
Na ansia de ser tua...na vontade de ser lua...na sede de estar nua

Bebe-me meu amor...como um vinho de Outono...lentamente
Faz do meu corpo a tua taça...saboreia-me inteira dentro de ti
Percorre a minha pele sedenta...deixa-me abrir em flor e sente
Esta febre que me devora...este perfume de cio a abrir em mim

Deixa a tua boca na minha...sacia esta sede louca e desvairada
Beija o meu corpo nu...embriaga-te deste orgasmo que te dou
Bebe-me inteira...apaga a tua chama na minha boca orvalhada
Que a minha nudez te encendei no fogo que meu corpo guardou

Rasga a seda que cobre o meu corpo...faz-me gemer de prazer
Em vermelha sedução faz-me tua...sedenta e a ti abandonada
Morde o meu beijo...incendeia o meu corpo no desejo a arder
Deixa que as minhas mãos te afaguem febris até de madrugada

Que a tua boca seja o beijo entre os meus seios...o sabor do mel
Na nudez dos nosso corpos...prende-me em ti insaciável e louca
Desliza suavemente os teus dedos pelo meu desejo de mulher
E deixa-me morrer por um instante no fogo ardente da tua boca

Deixa-me afogar no sabor do teu cio...por entre ondas de prazer
Deita o teu no meu corpo...deixa-me mergulhar na lava ardente
Deixa-me beber-te lentamente...até ao mais profundo do meu ser
Deixa-me morrer e renascer nos teus braços...voluptuosamente

Toma-me...nua...pétala de rosa perfumada...de desejo vestida
Desliza as tuas mãos na minha pele...acende a noite em mim
Cobre-me com a nudez do teu corpo...doida enlouquecida
Despe-me meu amor lentamente o profano vestido de carmim

Deixa-me ser o teu lençol de cetim...o teu desejo mais ardente
Mulher perdida na ondulação dos desejos..indecente e pura
Deixa sentir a volúpia das tuas mãos afagando o meu ventre
Deixa-me ser o véu da madrugada...o teu poente de loucura


Escrito por : RosaMaria

sábado, 8 de dezembro de 2012

NETOS

Afonso Manuel



NETOS

Pequenos,
Lindos,
Sapecas...
Capazes de gerar ondas borbulhantes,
De extrema felicidade,
De amor e de paz,
Quando falam minha avó...
Ou simplesmente vó...
Vó é palavra mágica,
Feita de favos de mel,
Por fadas do bem querer.
Ser avó é ter desejos de mudanças,
Aceitar pacificamente as mudanças dos desejos...
É quebra de paradigmas.
Conquista de novos olhares,
São diferentes visões de mundo,
Num mundo mais colorido,
Feito de pura emoção que segue a cada momento,
A cada dia a explodir de prazer o coração,
De excesso de emoção...
As avós sabem que,
Netos não podem sofrer...
Também não podem chorar...
Mas,
Como fazê-los crescer?
Amadurecer?
O limite tem a dimensão de refrear o que é inadequado, o que é indevido.
Limite é palavra dolorida, mas tem relação com a boa educação.
Limitar é educar.
Mas, como permitir o apropriado, o limitante, sem partir o coração?
Vó...
Palavra que corrompe as certezas incondicionais,
Que anula a percepção sobre:
O que é certo?
O que é errado?
Vó...
É palavra indescritível.
Amar os netos faz-nos enxergar os erros educativos como acertos do coração.
Fazem-nos transgredir sem nenhuma reflexão, sem nenhuma intimidação,
Ser avó serve para despedaçar a autoridade dos pais sem a menor cerimônia.
Vó...
Quando as avós avistam os netos, esquecem como educaram os filhos.
Afinal, não são filhos, são netos.
Eles beijam, abraçam e dizem com toda sinceridade...
-Minha avó linda... Eu estava com saudades de você, viu vó?...
Acredito que todos os netos foram criados pelas Mãos Divinas
Num momento de traquinagem de Deus.


Maria José Azevedo Araújo

sábado, 24 de novembro de 2012

HABITAS-ME

Foto de Francesco Izzo




De um só quarto
No alto de uma falésia;
Como a ventania


Irrompe na floresta, cavando clareiras
Ou devagar vai esculpindo luas
Nas areias.


FERNANDO DE JESUS FERREIRA





Fernando De Jessus Ferreira

UM RESTO DE DIA LINDO

Foto de Pedro Sottomayor

Um resto de dia lindo.....

na Granja...
praia da.....

esse mar agreste,
desses rochedos forma.formatando.....


do Eça essa prosa imensa brotando,
da Sophia os sentimentos enormes de falando.amando...


de mim,

um simples beijo...celebrando...

a linda Granja,

guardando as seus belos tão seres,

nesse mar agreste.justo,
desses seres tão belos...infindos...


JOSÉ SOTTOMAYOR