quarta-feira, 9 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

QUERO-TE ABRAÇAR COM FORÇA




QUERO-TE ABRAÇAR COM FORÇA


Em silencio


Apertado


Apertadinho


Na concha do meu corpo


- em posição fetal -


No calor do meu desejo


Nem sempre sexual


Te esmagar a boca em mil beijos


Te ouvir dizer, baixinho:


Amo-te!

Te abracar de novo


Como necessidade vital


Que bom...


Ainda tenho esses desejos!


Estou viva!


O amor é minha grande...


Talvez única vocação.



*Helem Mezadre*

domingo, 6 de novembro de 2011

LA MAMMA MORTA

                  

sábado, 5 de novembro de 2011

ISTO NUNCA O TEMPO PODE APAGAR

Na Secretaria do Colégio de S. Gonçalo

             Ontem sonhei que estava no Colégio de S. Gonçalo, em Amarante... O local onde me encontrava estava escuro. Havia secretárias e a janela grande que dava para o jardim estava
com as persianas fechadas. Era domingo e não era permitido abri-la...
             Ouvia os melros a cantarem, como num canto celestial, em conjunto com os outros pássaros e pelas frinchas das persianas, percebia-se que o dia estava cheio de sol e eu imaginava o jardim muito colorido e ao longe umas árvores frondosas que eram a casa grande dos pássaros.
Mas ali, estava escuro, tão escuro! Eu via muitos papéis espalhados pela secretária: mapas para preencher que exigiam muita atenção, formulários com prazos, estatísticas, respostas e mais respostas para dar a ofícios, muitos ofícios. Eram montes de papéis e só havia mesmo papel e estava escuro...
              No cimo das escadas interiores ouviam-se vozes, muitas vozes, de jovens alunas, e entre tantas vozes, escutei um choro de criança que fez com que o meu coração estremecesse: era o meu filho pequenino, indefeso e que chorava por querer o colo da mãe... e queria os meus braços, bem sentidos, no seu corpinho e muito apertados ao seu coração.
             Continuei a trabalhar, com mágoa, ignorando o choro, para não dispersar o meu raciocínio e continuar a trabalhar num domingo com sol e escuro, muito escuro, porque as persianas tinham que continuar cerradas...
              Não sei se foi um sonho ou um pesadelo. Acordei, estava sozinha no meu quarto. Acendi a luz do candeeiro e senti que estava cansada dos meus olhos pela escuridão e ter tanto desejo de ver luz. Pensei como para me tranquilizar que era só um sonho e estremeci pela vida que tive.
              Olhei em redor, vi uma foto do meu filho com os meus netos que sorriam e havia luz, muita luz nos seus sorrisos que me encheram a alma numa vida tão vazia... Apaguei a luz e tudo, mesmo
tudo, dentro de mim, era tão escuro, porque isto é mais do que o tempo pode apagar.


Maria Antónia

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

POEMA XII

Picasso "Blue Nude" período azul


POEMA XII

1

Um pássaro canta sobre as dunas.
Calou-se o mar nos teus cabelos. Eu perdi-te?
Uma chuva de palavras festeja as minhas mãos.
Nenhuma faz sentido. Não há rosas
que me possam pagar esta tristeza.




2


Apenas isto: dizer que tens um nome
que a tua própria boca desconhece.
E amar-te. Assim. Como se a morte
fosse em nós a última carícia.


3


Na tua boca a minha boca canta.
E os potros da alegria vão seguindo
os dedos que os teus seios enlouquecem.


4

Conheço-te. Estás nua no meu leito.
É em ti que a madrugada principia.
Mas quem?, quem virá dizer que a noite
tem o teu rosto e olhos clandestinos?


5


Toca-me. Não fales. Eu invento
as palavras que os deuses não merecem.


JOAQUIM PESSOA

in OS OLHOS DE ISA,

ACORRE-ME

Foto de Luisa Azevedo

ACORRE-ME


aprisionaste-me a noite nos olhos
enquanto a lua ocultava o sorriso.
se pudesses ver-me…
de mãos trémulas e vazias,
a dor a escorrer-me do peito,
sem luta.
se sentisses o frio que me desagasalha as palavras
e preenche o espaço entre os dedos,
onde não estás.
se percebesses o pavor do desconhecido,
invento-o.
queria proteger-me no calor do teu corpo
e demorar-me…
demorar-me,
dentro das tuas mãos!


LUISA AZEVEDO

ANTES QUE OS LÁBIOS SE TOQUEM

[foto © ilConte]

ANTES QUE OS LÁBIOS SE TOQUEM



Antes que os lábios se toquem
escrevo uma maré de linhas
e nas margens do teu olhar
voa um bando de palavras
que nem tu sabes escrever, nem eu ler…
antes que os lábios se toquem
as línguas perdem vocabulário
soletrado em saber ser sabor único
no dialecto celebrado nessa gruta
onde as bocas se calam
depois que os lábios se tocam.
 

JOÃO COSTA