domingo, 20 de março de 2011

MANUEL


                                    Manuel

É a primeira vez que te escrevo. Parece-me que as palavras são tâo pequeninas para dizer tanto do amor que sinto por ti que dói o coração de saudades. Um rosto lindo, um sorriso feliz e já começas a fazer as tuas habilidades. Estás no meu colo e observas tudo o que te rodeia. Olhas o pai com tanta ternura e ainda és tão pequenino! O teu olhar de felicidade e eu não encontro palavras par dizer tanto do amor que sinto por ti. Dói mesmo o coração de saudades

MANUEL - 24 DE MARÇO DE 2009


                       Afonso e Manuel
Nasceste lindo e calmo. Olhar-te era tranquilizador. Os teus olhos ainda fechados porque não querias ver este mundo. Mas em teu redor o teu irmão Afonso, muito de mansinho tocava-te no teu rosto beijava-te a testa e protegia-te como um homem grande com os seus braços em todo o teu corpinho.
Todos estávamos felizes: a mãe, o pai, o Afonso e eu - a avó Tona.
Tu nasceste lindo e calmo e todos te amamos muito.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O TU E O TEMPO

" O tu e o tempo " Por José Sottomayor



É bom ,
óptimo,

explêndido,
percorrer-te,
sentir-te,
ouvir-te
saber de ti,

ter-te,
na fragância
dos dias
restantes,
ainda,
e adiante.


Encontrar
o caminho,
faz,
fez,
caminho.


Encontrar-te,
faz,
fez,

amor
e.


Sinto-te,
quando a face
é roçada pelo vento,
quando o Sol
os olhos me assombra,
quando a minha alma
tem relógio,
e me desperta
na hora do tempo.


Nessa hora do tempo,
desperto deslumbrado,
e acordo acordado,
percebo o rio e o mar,
o sentido claro das águas,
a ironia drástica da realidade,
o colchão de penas
em que durmo,
penas de saudade,
penas de verdade,
e vejo-te,
a ti.
tu,
e o tempo,
no firmamento.


Bj.

SÚPLICA


SÚPLICA, DE MIGUEL TORGA

Agora que o silêncio
é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Só soubemos sofrer, enquanto

O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O PIANO




"O Piano", um filme absurdamente belo em todos os sentidos, seja na fotografia que é impecável, principalmente para o ano em que foi produzido (1993), seja pela trilha sonora que é literalmente a alma do filme em forma de notas musicais, ou pelas incríveis atuações de Holly Hunter, que vive Ada, uma mulher submissa e muda desde os 6 anos de idade, que tem como consolo e fonte de ínfima diversão um piano, que é praticamente parte do seu corpo e uma maneira que ela tem para se comunicar. Final do século XIX e Ada vive sozinha com sua filha Flora, interpretada por Ana Paquinn. Recebe uma carta de seu distante marido, um homem de negócios, de um casamento arranjado, dizendo que é preciso que ela se mude da Inglaterra para a Nova Zelândia, onde ele está instalado e com grandes terras para comprar. Ada se vê sem opções e viaja, junto com Flora, para tais terras desconhecidas. Logo na chegada alguns problemas aparecem. Como a casa onde ela ficará se encontra no interior da ilha o piano é descartado pelos encarregados de seu marido. Ada fica revoltada e não consegue fazer com que os carregadores entendam que o piano precisa ser levado de qualquer jeito, chega até a cogitar que suas malas fiquem, mas que o piano seja levado, Flora também se revolta mas ambas são ignoradas.


Ela segue em meio a floresta lamacenta, sem uma parte de si, desolada, apenas com sua pequena filha como companhia confiável, enquanto os nativos brincam com seus pertences e roupas e ela não pode falar, literalmente, nada.

Ao chegar na casa encontra seu marido, como se fosse um conhecido insignificante, e reinvindica que o piano precisa ser trazido, ele também não dá importância. Ada, que já é uma mulher triste fica ainda mais depressiva.

Após algum tempo descobre que seu marido vendeu o piano para um vizinho, sai desesperadamente floresta a dentro até a casa do suposto dono de seu instrumento e ali começa uma diferente relação entre os dois.

Um romance proibido, uma filha sem infância, uma rotina deprimente e um marido possesivo, derivados de um piano que fala, hipnotiza, e emana sentimentos e sensações diversas. O desejo mediado pela música e pelo silêncio.

ATÉ LOGO, MEU AMOR de José Sottomayor



José Sottomayor
 

As minhas mãos,
ainda estão nas tuas

Nas tuas carícias,
penso,
e adormeço
julgando-te perto,
comigo.

Lembro-me,
saudade muita,
das nossas caminhadas,

Lembro-me
muita saudade
do amor que me davas.
                                                                                                          
As minhas mãos,
ainda estão nas tuas
em cada madrugada

Até logo, meu amor.


AMO-TE de Vicente Ferreira da Silva

Amo-te!
Em todos os momentos.


Amo-te!
Mesmo nos momentos que não são momentos.
Nem pausas, porque até nas pausas te amo.


Amo-te!
Porque contigo todos os momentos,
e os não momentos, são novos e distintos.


Amo-te!
Por razões que desconheço.


Amo-te!


Porque em ti me reconheço.