Mostrar mensagens com a etiqueta TU SOFRES-ME. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta TU SOFRES-ME. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 6 de maio de 2011

DO NADA


DO NADA

Aí vem ela das sombras
Das cinzas
Dos lábios em terra seca
Invernos que mataram
Cheios de séculos
Destinos e labirintos
E a carne toda em brasa
Na cinturinha das flores[…]


Quero-te prender


Para que não saias do limite
Saindo fora de todos os limites


E te saborear
Saborear com gostinho
A a doçura do teu pólen
Na crosta
Inflamada da flor
A tremer


Depois da boca do gelo
Ter queimado toda a erva
Ter exclamdo toda a morte
Tu Sofres-me


Como raízes no cérebro
Como algo que só entendo


E por isso eu corro[…]
Como uma lâmpada do nada
Acesa com todo o seu escuro
Cheinha da tua voz[…]


Para te ter
E te deter
E escrever
E lamber
Os teus ombros
E abismos
E cabelos que não findam
E os cantos que a tua face
Esconde
E caminhos que desconheço
Como quem os conhece a todos




Mas tu[…]
Como és desejável tu
Com as tuas mãos fresquinhas
Sofregas para me nascer[…]
Porque és do abstracto das coisas
Só me deixas o perfume
E uma música a parir
O teu corpo a consumir-me.




manuel feliciano