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domingo, 1 de maio de 2011

ABANDONO



abandono




no jardim que criei plantei esperanças!
regueia-as,
catei-lhe as ervas daninhas,
os parasitas,
distribuí aromas pelas esquinas apertadas,
afugentei três topeiras com uma velha meia
que enterrei na terra,
algo popular que por vezes resulta,
soltei todos os pássaros,
e, para eles, plantei uma cerejeira.
o tempo foi passando,
a terra foi sendo minha cúmplice
e ali me guardei,
fechada no tempo.
tanto, que quando aos teus braços voltei
e contigo quis voltar para preservar este jardim
não sabia a senha para entrar

Luisa Azevedo