Mostrar mensagens com a etiqueta NÂO SEI. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta NÂO SEI. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O NADA, O ABSURDO E A MINHA IGNORÃNCIA



O NADA, O ABSURDO E A MINHA IGNORÃNCIA


Alguém me disse que é nada
sem saber o que nada é realmente

...Não acreditei.

Porque se ser-se nada fosse possível,
nada seria eu certamente.


...Ahh como queria eu ser nadaporque sou nada sem o ser.


Tudo, pelo menos tudo o que julgo ver,
encerra em si o pecado original do absurdo.
Não são só as palavras, ou os actos,
É a essência do próprio homem.


Da verdade, da pura verdade...
esperava-se que fosse definitiva e absoluta,
mas que tem de definitiva e absoluta a verdade conhecida,
quando esta se faz a si mesma
de tornar inverdadeira
outra verdade?


Que maior absurdo podemos encontrar
senão a aspiração do homem à unidade
face ao intransponível dualismo do espírito
e da natureza?


E que dizer deste impulso...
...Desta vontade de eternidade,
e a irremediável finitude da existência?


...Da preocupação constante enfim,
e a inutilidade de todo este esforço sem nexo?


E por isto tudo, eu queria ser nada
...ou então tudo.


Sou consciência atormentada
que afronta o mundo,
...Enquanto animal puro
sou parte do mundo, sou o mundo
...como a árvore, a flor
e as andorinhas...
Mas como homem,
sou consciência que se opõe.
...Busco uma ordem menor
numa ordeira desordem maior
que é este mundo em mim.


Com isto tudo,
como dizer-se que se é nada?
Haverá nada verdadeiramente?
Não sei


Miguel Braancamp de Mancellos