pouso as palavras
no pano do tempo,
do instante,
liberto-as,
como folhas livres,
da árvore
de mim.
Amo-as,
como sempre amei
quem me fez,
quem eu fiz,
quem me faz,
quem partilha,
comigo,
a cama
de um sonho.
Não faço poesia,
escrevo argumentos
de um prazer possível,
de um prazer impossível.
Viver,
é um telhado de vidro.
Abraça-nos,
reflecte-nos,
despede-nos.
Somos,
só(s),
o reflexo
de nós.
JOSÉ SOTTOMAYOR
