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| Escultura de Constantin brancusi "O beijo" |
VARIAÇÕES SOBRE UM… BEIJO
Basta-me o teu beijo,
Aquele vento azul
que me incendeia.
Quero-te assim;
inteira no sentir,
a estremecer na claridade
alta do desejo
Os lábios ardem nas pedras
assustadas da tua boca,
a língua que procura nichos e
recantos
onde a labareda é mais quente
.
O trigo que procuro, vivo,
emerge desse vulcão
de aves incandescentes e nocturnas
Quero-te e volto-me para tocar os silêncios,
nus pela ausência, transparentes,
onde sinto o tecido das tuas longas mãos,
côncavas de desejo.
Sim, quero aquele pão doce
e fumegante
das madrugadas rubras, empoleiradas
no raiar dos pássaros de vidro.
Esse é o beijo
que me basta.
Pão que me alimenta,
transborda da minha fome demorada,
habita os meus sonhos diurnos.
Hoje, só hoje.
Lília Tavares e Joaquim Monteiro
