| Foto de Rui Videira |
Uma só palavra incendiará o mundo.
Será nela que todas as catedrais
arderão solicitas.
Todo o legado musical, resumir-se-á
a uma única sinfonia, mesmo essa,
arderá nos últimos acordes dos violinos.
Todos os tratados, filosofias e poemas
darão uma bela pira, para iluminar as trevas.
Todas as macieiras, laranjeiras e outras
não chegarão para redimir, todas as bocas,
para atenuar a raiva de todos os dentes.
Todo o caos se renderá, à harmonia dos sentidos
e esses arderão, nas veias dos amantes.
Todas as crianças ficarão crianças.
Seus risos e canções se ouvirão, até que,
as cinzas assentem nas pálpebras do homem.
A terra no seu estertor, vomitará o húmus,
que se propunha purificar.
Nada será como dantes, depois das chuvas,
lavarem o tecido das giestas,
em rios de acesos lírios.
Nada será igual: -até no sexo redescoberto
nos amantes infinitos.
Uma só palavra incendiará o mundo
e nascerá nova vida: Amor.
A única
A eterna.
Joaquim MONTEIRO, in reflexões