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| Luisa Azevedo |
...E AGORA?!
mostraste-me que o céu é muito mais que azul
e nele tudo pode sentir-se de forma pura. mostraste-me
que o mar ladeia as nuvens e podemos tocá-lo, sentir-lhe
a humidade como nossa, salgada e prazerosa! agora, que
confundiste em mim as ondas elevando-as connosco a
planaltos celestes e misturando-as na rebentação dos
nossos corpos… vi a aurora perto da tua boca. vi-a dentro
dela quando as estrelas não eram pequenos astros, mas
beijos! beijos cadentes escorrendo-nos pelo canto da boca.
beijos que tentávamos segurar, entre a tua e a minha mão,
e com os dedos levávamos aos lábios, de novo à boca.
agora, que me ofereceste o teu manto, o teu leito, naquele
céu muito mas muito mais que azul, onde me fizeste
nuvem e o teu mar desaguou em alvoroço na minha foz
gemente de ousadia. agora… como dizer a esse céu azul
‘jamais posso voltar’ e às nuvens ’não deveis esperar’?!
… esta foz não te entendeu, meu mar!
LUISA AZEVEDO
