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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

TERNURA


Imagem de Alex  Alemany


TERNURA




Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada


Olho a roupa no chão que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio…


Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo


Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!




DAVID MOURÃO FERREIRA
in Infinito Pessoal ou Arte de Amar