Criei este blogger para que seja um arquivo das minhas memórias, ideias, em momentos especiais.Vivências com o meu filho, os meus netos, a minha mãe...etc. Também gosto de publicar poemas,citações,fotos,vídeos, que me sensibilizam e admiro. Aqui, só cabe as pessoas que mais eu amo e me dão felicidade.Por isso, este AMOR ÚNICO...
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
ABRIL
Abril 2008
recordo que as gaivotas voavam
que iríamos ser livres
para, como elas, voarmos também
e os anos passaram
e já são muitos
e, livres, vejo as gaivotas a voar
recordo os cravos cheirosos
que todos os anos apareciam
para, em abril, valerem liberdade
e os anos passaram
e já são muitos
e, liberdade,
vejo-a nos cravos por colher
Abril 2010
agora, nesta mesma hora
há milhões de cravos a chorar
um com fome
outro com sede
outro porque se sente encostado na parede
um sem emprego
outro perdido
outro entre muitos escondido
um com dívidas
outro falido
outro de tudo proibido
um sem pão
um sem dinheiro
outro, na revolta, se fez desordeiro
um sem ninguém
um vagabundo
outro no desgosto mais profundo
um chora por não ser feliz
outro porque não passa de aprendiz
um é perseguido no trabalho
outro não goza o seu cabelo grisalho
um que mata
um que morre
outro que o seu caminho não percorre
um que grita em desespero
um que não larga a bandeira
outro vive ainda na trincheira
um perdeu a liberdade
um que nunca a conheceu
outro porque alguém a corrompeu
um desconhece a lealdade
um vive amordaçado
outro ainda, foi pisado
um está preso sem razão
outro sabe em liberdade um aldrabão
um vê inventadas leis mais duras
outro só recorda ditaduras
um apenas porque foi usado
a seu lado um foi maltratado
um assiste a um suborno
de outro querem fazer um adorno
um está coxo
um moribundo
outro repara no que se passa neste mundo
um vomita sobre a estabilidade em pactos
outro observa a pompa de alguns actos
uns tratados
uns doentes
outros de novo estão presentes
um ouve os homens desbocados
outro os que outrora foram cães e gatos
mas há muitos com cravos na lapela
como quem põe flores à janela
e trinta e seis são os anos idos
estarão os cravos ainda floridos?
ou apenas murchos, sem vivacidade
e choram porque não cheira a liberdade
estas lágrimas são porque te perdi
quando a vontade era estar junto de ti
há milhões de cravos a chorar
mas outros tantos por desabrochar
Por Luisa Azevedo
Etiquetas:
CRAVOS A CHORAR
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