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terça-feira, 22 de março de 2011

MÃE CLARA


O coração bate descompassadamente.Olho em redor.Apetece-me pegar no telefone. Ontem quando te ouvi fiquei profundamente sensibilizada pela tua mãe. A mãe Clara, que eu conheci e nunca esqueci. Porque a gente nunca esquece quando ama! Agora, mais ciente do que aconteceu sinto tristeza, dor. Dor por ti também. Perder a mãe é como quem nos arranca o coração. Rezo por ela e nesta prece aparece no meu pensamento o seu rosto lindo, os seus cabelos claros, perfeita uma senhora linda que eu conheci e que sempre me falava com um sorriso.

Anoiteceu. Tudo está calmo. Ouço o tique-taque dos relógios. Estou sózinha, mas sinto o conforto desta sala, decorada como eu gosto. Ali, o piano, com as fotos de quem eu amo e já não estão aqui. Acolá, em frente, o meu neto Afonso que me olha com os seus olhos vivos, os seus lábios carnudos, numa pintura com um fundo vermelho.Olha para mim, com intensidade e o amor aue sinto tranquiliza-me nesta noite fria de Maio.Noutra parede,um Cristo com rosto de sofrimento que olhá-lo me dá paz. As mãos estão amarradas com uma corda e comparo o gesto, ao emaranhado de problemas que existiu sempre dentro de mim. O coração bate descompassadamente e apetece-me pegar no telefone e falar contigo e dizer-te que a mãe Clara está feliz porque te telefonei e ela como seu rosto lindo continuará a querer que sempre nos ajudemos numa amizade maior e única.