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| [foto © Kristjan Rems) |
MULHER
Mulher, é por ti que clamo
nas palavras pejadas que solto
e vejo transformadas em afago
moldadas no teu rosto em carícia…
É por ti mulher que escrevo,
arrancando à partitura do corpo,
o lamento com que fazes ode
para te velar a nudez íntima e faminta…
E chamas poema a este voo náufrago -
pois as asas perdia-as na espera -
de homem errante numa brisa
entre versos afogados em saliva…
Fossem minhas mãos
as palavras que agarras…
JOÃO COSTA
