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sábado, 23 de abril de 2011

SINTO FRIO



Sinto frio.


O frio da distância,
da ausência.
Estou ausente de mim.


É Lua cheia,
brilha,
gloriosa.


Não te vi passar,
senti-te,sómente.


Brilham e piscam os néons do quotidiano,
desejos desejados na névoa dos impossíveis,
deserdados,
passageiros de uma vida passada,
desordeiros em remorso,
procuram setas de sentidos,
morrem no frouxo,
na lentidão dos vivos.


Mesmo a menina,
que pousava os sonhos na janela,
secou as lágrimas na cortina,
nesse branco linho bordado por ela.


Secaram também os sonhos,
os adubos da horta da esperança,
perderam as cores os olhos risonhos,
ficou orfã do futuro a pequena criança.


É Lua cheia,
brilha,
gloriosa.


Sinto frio.
O frio da distância,
da ausência.


Perdi a minha boneca de trapo,
que,linda,perfeita,
luzia luzinhas no meu desejo.


Fazemos o féretro da inocência,
inundamos a consciência,
sacralizamos o último beijo.


Sentimos frio,
o frio branco ao lado da cor,
somos um retrato vazio,
um caixilho dourado,
vazio,
onde esteve
e não está,
o nosso amor.


Sinto frio.
A camisa é fina,
é de linho,
vazio.
Por  JOSÉ SOTTOMAYOR