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quarta-feira, 20 de abril de 2011

CHÃO DE MORTE

chão de morte




chorei a tua ausência noites a fio,
imaginei a dor de perder um filho na tua vez.
o coração mentiu-me…
fez-me crer verdade a mentira.
conspurquei a alma com pensamentos falseados pela ira
acumulada em todas as imagens visíveis.
gritei, desesperadamente, insultos
àquela morte única que tudo mata.
traí o amor!
fiz luto, como mulher de aldeia,
fechando o corpo à esperança
e os olhos ao colorido dos gestos.
desfiz a primavera com um sopro de raiva
fazendo morrer todas as flores desabrochadas,
pétalas cadáver da minha solidão.
 
     Por Luisa Azevedo


Foto de joão costa