terça-feira, 27 de dezembro de 2011

QUEDO-ME NESTE SILÊNCIO




QUEDO-ME NESTE SILÊNCIO


Quedo-me neste silêncio
Já não ouço o teu sorrir...
O teu olhar escondeu-se...
O teu sentir disse-me
Cansaço...
E o teu amor gritou-me
Verbos desunidos...
O teu amor...não morreu...
dizes...
O meu também...
Digo...


Quedo-me neste silêncio
Exaurido de saudade
E amorfo de palavras
Peço-te apenas uma gota
Do teu tempo...
Para matar esta sede
D’ hoje!


E a nascente
Deste amar tão nosso
Tem ainda tanto caudal
Tanto correr
Tanta frescura
Que o Éden terá inveja
Deste jardim sem pecado!


Quedo-me neste silêncio
Exaurido de saudade
E amorfo de palavras
Peço-te apenas uma gota
Do teu tempo...
Para matar esta sede
D’ hoje!


Deixa-me hoje cumprimentar
A lua no teu amor...
De mão dada ver nascer o dia
Sequência de vagas
Calendário...
Onde os cálculos assimétricos
Não perfazem fim
Porque somos princípio.


Ferido de saudade
E amorfo de palavras
Peço-te apenas uma gota
Do teu tempo...
Para matar esta sede
D’ hoje!


in "DA JANELA DO MEU (A)MAR - José Luís Outono - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA - MAIO - 2011

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