sexta-feira, 14 de outubro de 2011

BÁRBAROS

  
Oizys, a Angústia, a Miséria, o Sofrimento

BÁRBAROS, fj


e isso
é absolutamente
desesperante
na minha idade
pois me prova
me vem provar
que nada
aprendi
da
vida




desta
puta
de
vida




em que
continuamos
a ser bárbaros
animais



uns
com os
outros


fj



Filipe Chinita
  
.

MÃE

A minha mãe e o meu filho

MÃE


és raiz...és amor...


és a vida natural...


és saudade e pecado


original....






... Nasce de ti a palavra


nasce em ti o Amor...


és promessa da alma


dada a cada cantor...






Sofres...morres..vives...


és a coisa mais linda...


da minha vida...


Tu...


MÃE....






D’aquino Correia


01-05-2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O Sorriso - Eugenio de Andrade

                          

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

RESPIRO O TEU CORPO




RESPIRO O TEU CORPO

Respiro o teu corpo:


sabe a lua-de-água


ao amanhecer,


sabe a cal molhada,


sabe a luz mordida,


sabe a brisa nua,


ao sangue dos rios,


sabe a rosa louca,


ao cair da noite


sabe a pedra amarga,


sabe à minha boca.




EUGÉNIO DE ANDRADE

PORQUE TÃO PEQUENAS COISAS TE FAZEM GRANDE?




Porque tão pequenas coisas te fazem grande?
Se pequenas coisas só são pequenas coisas
Ah quem sabe achas a tua genialidade um Deus
Ousa ser grande
Ousa dominar o mundo
Talvez se eu fosse génio também ousaria


Ah mas não faças obras literárias
Nem um altar para tua sabedoria
Para que muito religiosamente se ajoelhem
Alguém te reze em vão
Nas paredes que não tens


Ahhhhhhhhhh Deixa que tua alma
Seja uma mulher
Pobre muito pobre
Com uma coroa de sol à cabeça
E depois quem sabe na coroa
Encontres alguma coisa:
Seios
Cobra de areia
luz e asas - pomar de formigas
Para te alimentares


Ahhh não desenhes rei e gado
Com o que pensas e crês
Porque o que julgas e não julgas - Rosa de ogiva
A força que te dá luz - De chão e ervas
Respira fora dos teus embolos
Queres que te ponha velas?
Ah cansei-me da tua sabedoria filho da puta
Do teu funeral de estrelas sem padre
E dos teus adoradores
De todas as tuas coisinhas "Par coeur"
Dos teus soldadinhos de chumbo
Da doutrina com a mesma catequista


Ahhhh aperta o gatilho
contra ti mesmo
Aceita a minha flor de enxofre
Carroça de coisas que te faz génio
Estrela de lama - Toma-a- e consome-te
Quero que sejas feliz


Que dês as mãos ao que importa
Que a mim só o que não importa me diz


Talvez seja esse o teu" Trottoir parisien"
De pintores e putas - fuga de mim
Em interlocução a gás
Saboreia toda essa materialidade
E morre sábio sem vítimas!




MANUEL FELICIANO

terça-feira, 11 de outubro de 2011

AS MÃES DOS POETAS NÃO MORREM


Ricardo Nuno Correia

AS MÃES DOS POETAS NÃO MORREM!!!


As Mães dos Poetas não morrem!!!!
São feitas de sentimentos…
Só morrem quando o Poeta…
...já está morto por dentro…


... As Mães dos Poetas não morrem!!!!
Alguém sabe da do Camões?
Da do Pessoa, do Ary
Fernando Campos, Alberto Caeiro
Ricardo Reis e outros assim…


As Mães dos Poetas não morrem!!!!
São chama que deu à Luz…
Dentro das suas ancas…ou cesariana talvez?
Mas deu a voz ao Poeta que só morre no infinito dos seus versos…


As Mães dos Poetas não morrem!!!!
Alguém sabe da do Mário Sá Carneiro
Da do Aleixo, que mal sabia ler…
E anda o Mundo inteiro…
A tentar se entender!!!!


As Mães dos Poetas não morrem!!!!
Vivem em versos bem distintos…
São guardadas com rosas, buganvílias e outros discos…
São cantadas na hora, em que os que não são poetas,
Querem fazer o Bonito!!!
Dizer com palavras dos outros
O que os outros têm dito…


As Mães dos Poetas não morrem!!!!
Nem no além viverão…
Elas são raízes de Almas que do Mundo
Jamais partirão…
Não morrem, Não!!!!


D’aquino Correia

7-3-2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

FLORES DO MAR




FLORES DO MAR (Susana Duarte e Luísa Azevedo)

O poema nasceu do dia, nas asas de um cavalo
solto no céu, onde a luz se fez breve sombra
e as asas, escondidas na suave penumbra,
navegaram dias inteiros sobre as flores





de um jardim imaginário, de insetos
polinizadores, onde a chama
das cores do céu
se acenderam
no teu
nome

é sempre o teu nome
todas as suas letras
e o ardor nos lábios
quando te digo
que me acende os dedos
muito antes de tocar-te.

Se te toco, sinto o chao
e as flores da madrugada,
num deserto sem cores.
Sem ti....sem teus beijos,
nada
Nada seduz e nada transparece.
Nada reluz, nada amanhece...
Só amanheço na manhã
do teu sorriso. No amanhã
de uma mágico que caminha
pelas ruas e me oferece
o fado cantado de um destino
prometido.


devolvo promessas
à fonte onde a ilusão encandeia
para não cegar na noite
seguir vendo o brilho dos teus olhos
e neles o brotar das flores.
sei que as pétalas trazem recados.
não as abro!
deixo que caiam
uma a uma
e o nosso fado se já escrevendo pelo chão


sobre o chão e sobre o leito,
se inscrevem amanhãs....
és verdade pressentida
onde se arrastam alvoradas
que estendo sobre mim;
nesse manto alado de ar,
respiro as cores do teu pescoço
e é assim, em alvoroço,
que me revejo no teu olhar

pulsa-me o sangue de saber-te madrugada à minha espera.
chegarei tarde! reteve-me a lua nos seus braços
amante
nocturna
e oculta.

chegarei de olhos cansados,
corpo fatigado
e sem vontades.
chegarei de velas rasgadas,
rumo transviado.
preciso abarcar no teu destino

é nele, no destino dos teus braços,
que demorarei o ventre, e saberei
onde existe o sangue de uma alvorada
ardente,
silenciosa
e demorada,
nos olhos onde te amei
em cada beijo, e em cada asa
que, por ti, ganhei.


pois demora teu ventre
onde a vontade é pura
e nada em ti se perde.
demora o ventre nas memórias que balanço nos dedos
e, como uma dança, alongarei aos braços
o nosso corpo é árvore
onde cada fruto será uma gota matinal de orvalho.


orvalharei o teu rosto com o suor dos meus braços,
transformando-te numa árvore de vida, num mar de sarçaços
e num olhar azul que me completa as marés


em ti me faço mar,
serei... seremos
talvez sereias,
teremos escamas,
cauda,
subtis interstícios
onde brilharão cristais próximos do que se chama sal

teremos escamas como peixes azuis de oceanos
longínquos, onde as flores marinhas voam e
os peixes nadam até à raiz dos meus sonhos.
nos meus sonhos encontro teus olhos salinos,
feitos de cristais hialinos, onde a voz do mar
é apenas a voz do nosso canto, no seio que
se revela encantado, seguro pelo teu olhar.

é na transparência que dois olhar se penetram,
bem fundo! tão fundo que as almas podem mesclar-se,
tingir o interior do ser.
serás azul?
serei violeta?
seremos todas as cores que reflictam a luz sincera das águas
assim viveremos
em breve chegaremos ao centro de atlântida.


seremos magenta como as framboesas
nascidas no mais profundo do mar,
onde castelos de areia se espraiam
em mim, e eu... no luar.

e voltamos a cair-nos nos braços,
com os corpos lambuzados de amoras silvestres
pois foi da lua que parti, recordas?
queria ter-me para si,
saborear os prazeres terrenos,
saber-te longe, recordas?
dela fugi para voltar a ti.


volta. saberás sempre onde estou.
estarei e residem as aves, sem asas,
que todavia voam em cada noite
que em mim....amanhece.
Estarei nas vielas onde se ouvem gatos
misteriosos e serenos. volta.
volta de onde estás e és sem mim.

serei a outra asa
para juntas voarmos
até ao amanhecer
e tombarmos no sonho de voltar a ser noite.
serei o miado desassossegado que reconheces
em qualquer viela e incessantemente buscas
até sermos unas uma mais.


e, assim, fundir-nos-emos na origem do mundo.
é lá, no centro de tudo, que as asas se derretem,
pois a fusão das almas não deseja voos. deseja ser.

sejamos então, num (e)terno abraço



Texto a 4 mãos por SUSANA DUARTE e LUISA AZEVEDO

como aconteceu anterioremente, a partir de uma publicação no mural foram nascendo poemas em forma de "resposta", compilados nesta nota. os textos são apresentados pela ordem surgida nos comentários... 'à capela'.

Susana Duarte
 

LUISA AZEVEDO