terça-feira, 11 de outubro de 2011

AS MÃES DOS POETAS NÃO MORREM


Ricardo Nuno Correia

AS MÃES DOS POETAS NÃO MORREM!!!


As Mães dos Poetas não morrem!!!!
São feitas de sentimentos…
Só morrem quando o Poeta…
...já está morto por dentro…


... As Mães dos Poetas não morrem!!!!
Alguém sabe da do Camões?
Da do Pessoa, do Ary
Fernando Campos, Alberto Caeiro
Ricardo Reis e outros assim…


As Mães dos Poetas não morrem!!!!
São chama que deu à Luz…
Dentro das suas ancas…ou cesariana talvez?
Mas deu a voz ao Poeta que só morre no infinito dos seus versos…


As Mães dos Poetas não morrem!!!!
Alguém sabe da do Mário Sá Carneiro
Da do Aleixo, que mal sabia ler…
E anda o Mundo inteiro…
A tentar se entender!!!!


As Mães dos Poetas não morrem!!!!
Vivem em versos bem distintos…
São guardadas com rosas, buganvílias e outros discos…
São cantadas na hora, em que os que não são poetas,
Querem fazer o Bonito!!!
Dizer com palavras dos outros
O que os outros têm dito…


As Mães dos Poetas não morrem!!!!
Nem no além viverão…
Elas são raízes de Almas que do Mundo
Jamais partirão…
Não morrem, Não!!!!


D’aquino Correia

7-3-2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

FLORES DO MAR




FLORES DO MAR (Susana Duarte e Luísa Azevedo)

O poema nasceu do dia, nas asas de um cavalo
solto no céu, onde a luz se fez breve sombra
e as asas, escondidas na suave penumbra,
navegaram dias inteiros sobre as flores





de um jardim imaginário, de insetos
polinizadores, onde a chama
das cores do céu
se acenderam
no teu
nome

é sempre o teu nome
todas as suas letras
e o ardor nos lábios
quando te digo
que me acende os dedos
muito antes de tocar-te.

Se te toco, sinto o chao
e as flores da madrugada,
num deserto sem cores.
Sem ti....sem teus beijos,
nada
Nada seduz e nada transparece.
Nada reluz, nada amanhece...
Só amanheço na manhã
do teu sorriso. No amanhã
de uma mágico que caminha
pelas ruas e me oferece
o fado cantado de um destino
prometido.


devolvo promessas
à fonte onde a ilusão encandeia
para não cegar na noite
seguir vendo o brilho dos teus olhos
e neles o brotar das flores.
sei que as pétalas trazem recados.
não as abro!
deixo que caiam
uma a uma
e o nosso fado se já escrevendo pelo chão


sobre o chão e sobre o leito,
se inscrevem amanhãs....
és verdade pressentida
onde se arrastam alvoradas
que estendo sobre mim;
nesse manto alado de ar,
respiro as cores do teu pescoço
e é assim, em alvoroço,
que me revejo no teu olhar

pulsa-me o sangue de saber-te madrugada à minha espera.
chegarei tarde! reteve-me a lua nos seus braços
amante
nocturna
e oculta.

chegarei de olhos cansados,
corpo fatigado
e sem vontades.
chegarei de velas rasgadas,
rumo transviado.
preciso abarcar no teu destino

é nele, no destino dos teus braços,
que demorarei o ventre, e saberei
onde existe o sangue de uma alvorada
ardente,
silenciosa
e demorada,
nos olhos onde te amei
em cada beijo, e em cada asa
que, por ti, ganhei.


pois demora teu ventre
onde a vontade é pura
e nada em ti se perde.
demora o ventre nas memórias que balanço nos dedos
e, como uma dança, alongarei aos braços
o nosso corpo é árvore
onde cada fruto será uma gota matinal de orvalho.


orvalharei o teu rosto com o suor dos meus braços,
transformando-te numa árvore de vida, num mar de sarçaços
e num olhar azul que me completa as marés


em ti me faço mar,
serei... seremos
talvez sereias,
teremos escamas,
cauda,
subtis interstícios
onde brilharão cristais próximos do que se chama sal

teremos escamas como peixes azuis de oceanos
longínquos, onde as flores marinhas voam e
os peixes nadam até à raiz dos meus sonhos.
nos meus sonhos encontro teus olhos salinos,
feitos de cristais hialinos, onde a voz do mar
é apenas a voz do nosso canto, no seio que
se revela encantado, seguro pelo teu olhar.

é na transparência que dois olhar se penetram,
bem fundo! tão fundo que as almas podem mesclar-se,
tingir o interior do ser.
serás azul?
serei violeta?
seremos todas as cores que reflictam a luz sincera das águas
assim viveremos
em breve chegaremos ao centro de atlântida.


seremos magenta como as framboesas
nascidas no mais profundo do mar,
onde castelos de areia se espraiam
em mim, e eu... no luar.

e voltamos a cair-nos nos braços,
com os corpos lambuzados de amoras silvestres
pois foi da lua que parti, recordas?
queria ter-me para si,
saborear os prazeres terrenos,
saber-te longe, recordas?
dela fugi para voltar a ti.


volta. saberás sempre onde estou.
estarei e residem as aves, sem asas,
que todavia voam em cada noite
que em mim....amanhece.
Estarei nas vielas onde se ouvem gatos
misteriosos e serenos. volta.
volta de onde estás e és sem mim.

serei a outra asa
para juntas voarmos
até ao amanhecer
e tombarmos no sonho de voltar a ser noite.
serei o miado desassossegado que reconheces
em qualquer viela e incessantemente buscas
até sermos unas uma mais.


e, assim, fundir-nos-emos na origem do mundo.
é lá, no centro de tudo, que as asas se derretem,
pois a fusão das almas não deseja voos. deseja ser.

sejamos então, num (e)terno abraço



Texto a 4 mãos por SUSANA DUARTE e LUISA AZEVEDO

como aconteceu anterioremente, a partir de uma publicação no mural foram nascendo poemas em forma de "resposta", compilados nesta nota. os textos são apresentados pela ordem surgida nos comentários... 'à capela'.

Susana Duarte
 

LUISA AZEVEDO
 



  



  

 




  





  







domingo, 9 de outubro de 2011

AH! SE EU PUDESSE

Foto de Rui Videira

Ah! Se eu pudesse...


Serias o rio calmo que desce pelas colinas


serias as águas translucidas que nele passeiam


e mergulhava em ti


como serpentinas


como cobras de águas doces


subia e descia quando queria


mais de ti


e mais doce!!!




D'Aquino Correia


Ricardo Nuno Correia







sábado, 8 de outubro de 2011

O OUTONO VISTO PELA JANELA, in "A VERDADE DÓI E PODE ESTAR ERRADA"

                      

João Negreiros
 




PRÉMIO NOBEL DA PAZ 2011

                 Tawakkul Karman                   Ellen Johnson Sirleaf                  Leymah Gbowee


"Não podemos alcançar a democracia e a paz duradoura no mundo se as mulheres não tiverem as mesmas oportunidades que os homens de influenciar o desenvolvimento em todos os níveis da sociedade", justificou o Comité Nobel, ao anunciar que o prémio da Paz este ano vai ser dividido em partes iguais entre três mulheres, pela sua "luta não violenta pela segurança das mulheres e pelo direito das mulheres de participar num trabalho de construção da paz".




Ellen Johnson Sirleaf é a primeira mulher democraticamente eleita presidente. Desde a sua eleição, em 2006, explica o Comité Nobel, contribuiu para a paz na Libéria, assim como para a promoção do desenvolvimento económico e social do país.




Já Leymah Gbowee destacou-se pela mobilização das mulheres de várias etnias e religiões na Libéria contra a longa guerra no país.




Tawakkul Karman teve um "papel preponderante na luta pelos direitos das mulheres e pela democracia e paz no Iémen", tanto "antes como durante a Primavera Árabe" .




In Revista "Visão"

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

TOMAS TRANSTROMER - PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2011

Tomas Transtromer


LISBOA




No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes.


Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões.


Acenavam através das grades.


Gritavam que lhes tirassem o retrato.




“Mas aqui!”, disse o condutor e riu à sucapa como se cortado ao meio,


“aqui estão políticos”. Vi a fachada, a fachada, a fachada


e lá no cimo um homem à janela,


tinha um óculo e olhava para o mar.




Roupa branca no azul. Os muros quentes.


As moscas liam cartas microscópicas.


Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa:


“será verdade ou só um sonho meu?”






Tomas Tranströmer


Tradução de Vasco Graça Moura

terça-feira, 4 de outubro de 2011

AUSÊNCIA


Sophia de Mello Breyner Andresen

AUSÊNCIA




Num deserto sem água


Numa noite sem lua


Num país sem nome


Ou numa terra nua




Por maior que seja o desespero


Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.




Sophia de Mello Breyner Andresen