quarta-feira, 7 de setembro de 2011

LÁ LONGE ESTÁS

Foto de José Sottomayor



LÁ LONGE ESTÁS


Lá longe estás
como teve que ser
toquei-te
amei-te,
escondi-te
... perdi-te
lembro-te,
como a saudade
é saudade.


Lá longe estás
presa no teu tempo
no teu lugar
presa e morta
esquecida de nós.


Toquei-te
amei-te
lembro-te
com a saudade
da saudade.


Quando escrevo,
procuro-te,
fica aqui
esse amor imenso
que me faz frio.


Fica aqui
esta certeza
que não te fiz saber.


Longe,
onde estás,
como teve que ser,
amo-te muito,ainda.


Lá,
onde a saudade
me lembra a saudade,

Amo-Te muito.


31 de Maio de 2010



JOSÉ SOTTOMAYOR





José Sottomayor


PÁTIO INTERIOR

José Ribeiro Marto

PÁTIO INTERIOR


Eu procuro sempre a poesia . Hoje encontrei esta pérola sem querer . Trata- do livro Pátio Interior , de Isabel Fraga . Li poema a poema , demorei -me , sem nunca sentir sede na companhia meditativa das suas palavras exactas , puras, limpas . E , o poema que abre o livro , murmurei-o , e parti para longe .




Dentro de mim


Está escrita uma paisagem .
Impressa como a página de um livro .
Cada palavra é uma folha de árvore .
Cada ponto final uma ramagem .
Cada parágrafo uma margem de rio .
Só para mim têm sentido as frases .
Têm o som do sol no horizonte .
A luz das pedras em que passei os dedos .
È o tal livro que nunca será escrito.
não têm forma , nem estilo, nem saber .
Todos os verbos estão no infinito .
O índice é o indìcio da percepção das coisas
Que só as árvores podem, vagamente ,entende

Isabel Fraga


.POR JOSÉ RIBEIRO MARTO

terça-feira, 6 de setembro de 2011

SE EU GOSTO DE POESIA?



SE EU GOSTO DE POESIA?


"Se eu gosto de poesia? Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor. Acho que a poesia está contida nisso tudo."


Carlos Drummond de Andrade


Por JORGE XARÁ DIAS



Jorge Xará Dias (filho da minha professora Cidália)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

sábado, 3 de setembro de 2011

EXPLICAÇÃO DA ETERNIDADE


Foto do José Manuel Fernandes

EXPLICAÇÃO DA ETERNIDADE


devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.


os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.


os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.


foste eterna até ao fim.




José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"

TÍLIAS NAS LARANJEIRAS

 
Tília
Luís Cambra


Grandes tílias nas laranjeiras, são história antiga, do meu tempo mas mais na memória do Zé Manel que aí viveu e talvez da Maria Antonia que aí ainda com ele conviveu. As minhas tinham camionetas de carreira em cima das quais se apanhavam p...és de chá e o sr. Ernesto fiscal ciente questionando o usufruto desse bem publico. As ruas tinham lama e piso, estreito e necessário, os cavalos ainda comiam alfarroba que em grandes vagens cresciam livres para os lados da linha, e, havia gente que dizia: Isto é pra dar aos cavalos mas há gente que também as come. Tudo servia, era a fome.


1 de Setembro de 2011




José Manuel Bastos e Luís Cambra



Neste fim de manhã, na esplanada do Guedes, à flor (ou rente) da água da Ria de Aveiro, na praia da Torreira, concelho da Murtosa, um dos lugares mais bonitos de Portugal e do mundo (pelo menos do meu mundo). Três companheiros/amigos do tempo da sua formação de arquitectura, em especial na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa que os levou profissionalmente para Sintra, SM Feira e SJM, a Lisete Ausenda Valente, José Manuel Bastos e Luís Manuel Cambra. Encontraram-se, desenferrujaram a língua e partilharam a amizade nunca beliscada.— com Lisete Ausenda e Luis Cambra.
 
José Manuel Bastos, em 30/07/2011


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

RETRATO DE OUTONO


Foto de José Manuel Fernandes

RETRATO DE OUTONO

O mar e a areia no mel dos figos
Trazem os teus pés pela pálpebra quadrada
E dizem
Que a água do mar não tem água
E a minha boca são os teus chinelos
ignota flor todo este saber - as tuas pernas são tão boas
O miolo do sol que se impregna
num suposto azul - és tu
Toma
o calor das queimadas
que desperta o frio adormecido
E anoitece-és da cor do sol
acreditas?
não fazer copos de outros corpos - a televisão não capta
A bebê-los com o vinho
a transgredir o sol
Isso sim é o fogo que resta da ferida!
Agora ficas a saber que nada tem um príncipio
nem tão pouco um fim - beijos em saibro
só o aroma das cinzas que nunca arderam
dá-me as tuas mãos de iodo e vamos!
Hoje o que vai e o que fica- É o vinho a reiniciar o mar
garganta dactilografada a núvem
mais verde que a floresta - sabe-me tão imensamente a ti
Os ossos não nos querem meu amor - sorri
O cão ladrou - abre a porta-abre a porta
alguém quer saber de nós ao fim ao cabo - Pão da tua pele
Não morremos? Não há portas meu amor
Faca debulhada na boca - o que somos
Não há portas meu amor- não as abras-sente o jardim!



manuel feliciano
Poeta Manuel Felicano